Dias de luta sempre serão os dias de glória, é da luta que vem a terra, é da luta que vem a vitória, é da luta que vem o prêmio, é na luta que aprendemos com nossas falhas, é na luta que morremos, mas com um ideal. Mas algo inaceitável é pedir da vida a glória sem dar a vida à luta. Todos os dias alguém chega a casa, liga o rádio ou a televisão e ouve sobre o assassinato de três pessoas em tal lugar por tal motivo – normalmente um motivo inútil. Essa pessoa se revolta e no extremo ápice da sua revolta abre a boca e diz: esse mundo não muda mesmo. Realmente eu não sei o que seria do mundo sem esse comentário, devemos aplaudi-lo de pé.
Já estamos tão acostumados com o mundo a nossa volta que paramos de pensar que ele pode ser melhor, talvez seja por isso que as crianças sempre têm essa força e essa vontade: mudar o mundo, por quê elas estão a pouco tempo por aqui e vêem nas dificuldades um ponto de saída para o ideal. Mas afinal: o que é mudar o mundo¿ Pode ser criar um partido político e lutar pela reforma agrária, pode ser cantar e morrer de overdose deixando milhares de fãs, pode ser abrir um albergue, pode ser se tornar presidente da maior nação do mundo ou pode simplesmente ser a ajuda mútua entre estranhos.
Mudar o mundo envolve um esforço tremendo, não é por pouco que tão poucos são aqueles que mudam, mas outra prova é que uma pessoa sozinha pode mudar o mundo: foi assim em todas aquelas revoluções que vemos na escola. Por incrível que pareça mudar o mundo desde séculos atrás tem sido algo focado em paz, amor, liberdade e igualdade entre os homens. Não me parecem uma mudança de governo, nem uma nova inovação tecnológica, diria até ser algo simplesmente solúvel, basta que cada um respeite o outro. Mas acredite: isso é muito difícil!
Somos humanos, e isso significa que temos (por natureza) duas mãos, dois pés, dois olhos, uma boca, cabelo e uma hipocrisia que dá de mil na dos cachorros. Temos também a capacidade de odiar pessoas apenas pelos seus estereótipos, de brigar por nada, de matar por amor, de ser falso por status, de mentir pelo individualismo e de sonhar com um mundo melhor, onde todos são legais, gentis e ninguém faz isso – mesmo que nos façamos.
Mudar o mundo é algo cultural, as pessoas têm que se cativarem para mudar o mundo de verdade, mas como cativar as pessoas¿ Enchentes e fotos de crianças africanas são ótimas opções, oferecer sexo em troca talvez seja a melhor, mas infelizmente nenhum dos dois vale. Algumas palavras bonitas também não levam a lugar algum, digo: a declaração de independência dos EUA é perfeita, mas nem por isso os vizinhos pararam de competir por quem tem a grama mais bem cuidada.
Vamos sempre falar em mudar o mundo e não vamos levantar da cadeira – não por que o mundo está bom e não precisa mudar, mas por que a cadeira e confortável e o mundo pode esperar, aliás, mudar o mundo é coisa de gente doida que estuda filosofia, é melhor ir num show de funk.
A idéia que eu quero plantar é de que simples ações como doar a roupa usada ou dar um abraço em um estranho infeliz podem tornar o mundo mais agradável, mas nunca irão solucionar nossos problemas, precisamos de gente, precisamos ser mais humanistas, precisamos entender que a sociedade é feita de pessoas e não de números, sinceramente eu penso de devíamos parar de contar papel (aqueles com números e desenhos de gente que já morreu ou de lugares que nunca vamos conhecer) e investir em pessoas. A função de tudo que fizemos foi agradar as pessoas, será que chegamos ao ponto de esquecer a origem e passar a agradar a função¿ Um oi, um tudo bem, uma oferta de emprego, é disso que um mendigo precisa pra melhorar de vida, de uma pessoa disposta deixá-lo caminhar com seus próprios pés. Recuperar a criança que você era é preciso, só ela tem o amor e o humanismo capaz de ajudar o próximo. Não vejo perspectivas enquanto não mudarmos, mas vejo a possibilidade da mudança a cada dia estampada nos olhos de uma criança: não é por que hoje sabemos a resposta do por quê que as pessoas morem que deixaremos elas morrerem!
domingo, 30 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
MUTARE - 10º TEXTO
"Muita
coisa mudou nestes últimos anos. Não saí da infância como a maioria das
crianças, eu fui jogado na adolescência e por lá fiquei por pouco tempo. Quando
me dei conta já era um adulto rancoroso e triste, assim como a maioria dos
adultos que conheci. E o pior disto tudo é que não sei exatamente o que causou
esta mudança. Consigo citar alguns acontecimentos, mas sei que eles foram
apenas catalisadores. Quais foram os reagentes?"
"Eu
era uma criança normal. Acreditava em Deus, ia a igreja, me apaixonava
facilmente e tinha muitos amigos. Eu
gostava de praticar esportes e preferia viver correndo e pulando a sentar em
uma cadeira e encarar uma vida virtual por horas. Como num passe de mágica eu
mudei. Li Nietzsche e acabei me tornando ateu e a igreja que eu adorava virou o
palco das minhas crítica. Li um pouco sobre Freud e fui me tornando frio, cada
vez mais racional e cada vez menos humano. Já não sei o que é amar e nem mesmo
consigo sentir compaixão. O mundo virtual me absorveu, absorveu minhas dores, e
passei a ignorar a realidade que se me apresentava. Ainda sangro, ainda sinto
dor, ainda sou humano, mas não penso mais como um ser humano. É até engraçado,
mas tem dias que me sinto um androide. "
-
Olá MP - Nuntius vinha saltitando novamente, com o fone nos ouvidos e o cabelo
flutuando com a brisa.
-
Olá. Como você está? - disse sem se virar, prosseguindo em seu caminho.
Nuntius
o alcançou naquele instante e parou de saltitar. Seu perfume de erva doce mais
uma vez o embebedou. MP respirou fundo e algumas imagens da infância vieram a
sua cabeça, mas logo voltou para o presente no momento em que ela respondeu sua
pergunta . Sua viagem ao passado durou a infinidade de alguns segundos.
-
Estou bem, um pouco ansiosa, mas e você, como está?
-
Estou bem também. Porque está ansiosa?
-
Porque você ficou de me dizer se iríamos sair ou não. Já faz um tempo que estou
esperando sua resposta.
-
Claro. Eu aceito seu convite. Poderíamos sair o mais breve possível, pois quero
muito saber as coisas que você têm a me contar.
-
Tudo bem. Fico feliz. Mas... Você sabe que não estou saindo com você apenas por
aqueles mistérios não é?
-
Na verdade não. Quais outros motivos tem para sair comigo?
- Idiota. Eu poderia simplesmente ter lhe dito
o que sei naquele dia, ou mesmo agora, mas não o fiz. Quero passar um tempo com
você... Você é um idiota mesmo - nesse momento ela começou a andar mais
rapidamente deixando MP para trás.
MP
parou de caminhar e viu-a se destacar a frente. Não entendia o que havia
acontecido e não sabia o que deveria fazer. A única coisa que ele entendeu da
situação era o que ele estava sentindo. Ele sentia que não devia ter feito
aquilo e queria se desculpar. Começou a
correr como que por impulso e logo a alcançou.
-
Nuntius... Eu ... - alguns segundos se passaram em silêncio e ela prestava
atenção em suas palavras, ansiosa - Enfim, vamos marcar os detalhes do nosso
lanche?
-
Você é mesmo um idiota. Não só isso. Você já está tão danificado que nem um
pedido de desculpas consegue fazer. Pense nisso. Mas vamos marcar sim.
-
Não pretendo pensar e você sabe disso. Que dia sairemos?
-
Sei sim, mas tinha uma pequena esperança na sua mudança. Ainda tenho, acho.
Enfim, vamos nesta sexta feira?
-
Que dia é hoje?
-
Hoje é quarta feira - respondeu impaciente.
-
Sim, podemos sair sexta feira.
-
Que bom. Então até sexta - ela virou-se, tomou o caminho contrário e voltou a
saltitar.
-
Ei, o que está acontecendo? Se o seu caminho é para este lado, porque você está
voltando? Porque quando eu lhe tratei mal você foi para este caminho? O que
mudou?
-
Entenda MP, eu conheço mais de você do que você imagina. Beijos, louco.
MP
sorriu. Percebeu que foi enganado. Viu que aquela pirraça feita por ela foi
apenas para despertar algo que há muito ele não sentia. Ele começou a entender
ali o que ela estava fazendo, percebeu que ela estava testando-o constantemente, conhecendo-o. Passou a ver em
tudo que ela fazia, um teste. Ficou feliz por uma lado, pois pensou que se ela
ainda o procurava quer dizer que ele estava passando no teste. Por outro lado ele
se entristeceu, pois não admitia que uma pessoa pudesse fazer testes para um
amigo, quiçá um amor. Havia algo maior naquela relação e que ele era usado em prol
das ideias de Nuntius. Sua desumanidade voltou a governar.
"Ela
quer algo comigo, isto é fato, mas eu também quero algo com ela. Quero saber
sobre os mistérios da biblioteca. Mas acho que não é isto que me incomoda. Por
algum motivo estranho, a opinião dela é importante para mim. Gosto de saber que
ela pensa em mim, que fica tramando maneiras de me estudar. Gosto de pensar que
eu faço parte de seus engajamentos atuais.
Só não gosto de saber tão pouco dela. Acho que está na hora de o jogo
começar a ser jogado pelas duas partes. Porque, com certeza, eu posso descobrir
mais dela do que ela pode descobrir de mim. Ela não tem o que eu tenho, esta
genialidade superior, é só mais uma garotinha mimada."
Neste
momento três garotos passaram na rua. Os três havia estudado com MP no ensino
fundamental e certa feita haviam lhe pregado algumas peças. Ele os reconheceu e
a recíproca foi verdadeira.
-
Olha pessoal, o garotinho franzino da escola. Será que ele ainda é aquele
idiota? -disse um deles para os outros dois.
-
MP não se importou, continuou seu sentido de deslocamento.
Eles começaram então a atravessar a rua e ir
na direção de MP. Este ignorou-os e continuou andando sem dar-lhes importância.
Quando os garotos chegaram bem perto de MP um deles o empurrou e recebeu como
revide um golpe muito forte no nariz, que o jogou no chão. Os outros garotos
ficaram assustados, mas logo quiseram briga também. MP desferiu alguns golpes com
seu punho contra outro dos garotos e também o jogou no chão, mas foi
surpreendido pelo terceiro que lhe chutou as pernas, derrubando-o. Ao cair no
chão ele recebeu chutes do garoto que o havia derrubado, e com o passar dos
instantes os outros dois o chutaram também. Os golpes atingiam todo seu corpo.
Naquele
instante, graças ao acaso, os amigos de MP apareceram na esquina e logo vieram
correndo na direção da briga. Vendo a movimentação os três garotos saíram
correndo.
MP
se levantou, com um sangramento no nariz e um corte no supercilho.
- Quem eram estes garotos? -
perguntou Operiet ainda ofegante.
-
Colegas de turma.
-
Entendo. Acabo de perceber que nós quatro fomos as únicas pessoas que
conviveram com você e não te odiaram - disse Canere, sorrindo, também ofegante.
-Alguns
momentos passaram em silêncio enquanto MP se limpava.
-
Espero que isto lhe sirva de lição, MP. Você não é de aço, não é o super homem.
Algum dia seu ódio o levará para um caminho sem volta - disse Scire,
explicitamente revoltado com o acontecido.
-
É claro que não, eu poderia ter batido nos três, só que eu me distraí. Afinal
de contas, o que os trouxe até aqui?
-
Bem lembrado - disse Magnus - aquele homem chamado Eventus está na casa de
Scire. Pediu que o chamássemos.
MP
ficou paralisado. Achou que Eventus já havia até morrido. Ficou ansioso para o
ver. Saiu correndo na direção da casa de Scire. Assim que deu o primeiro passo
olhou para a esquina e viu que Nuntius o observava ao longe. Continuou
correndo, mas só parou de olhar em sua direção quando virou em outra esquina.
Ela o encarava, sem apresentar qualquer expressão.
9º TEXTO<<<<<<<-x->>>>>>>11º TEXTO
Matheus Henrique
sábado, 8 de setembro de 2012
ALMA SERTANEJA
Gosto de escrever crônicas, tanto que é por isso que tenho esse blog - por que não basta escrever se ninguém ler. Ontem fui ao aniversário de 75 anos de um avô meu, até agora não me livrei do sentimento de nostalgia, de culpa, de inferioridade ou de sei lá o que - sim, estou admitindo não saber algo. A coisa que mais me atraiu por lá foi um show de moda de viola, sem contar uma figura que eu conheci - que não vem ao caso.
Aquelas músicas, o som maravilhoso da sanfona, o som arcaico do violão, a inocência das letras, em contraponto ao sentimento, ao realismo, a vida, a verdade... Uma verdadeira aula de história, aprender um pouco mais sobre a vida do trabalhador rural e sobre os desafios e problemas enfrentados por esses homens que construíram a pátria com o preço do seu suor e algumas vezes - do seu sangue. É notável o apelo e o apego a figura divina, pela primeira vez eu senti e compreendi a utilidade de deus no mundo, talvez isso tenha sido uma humanização dos meus conhecimentos e deduções. A ideia de que uma pessoa é capaz de apenas com uma família (como se essa instituição fosse um mero "apenas"...), com amor entre homem e mulher, acordar de madrugada e ir trabalhar no roça, rezar e sentir força para mais um dia são capazes de ser felizes, sem nenhuma necessidade de ostentar poder, de se sentir superior - pelo contrário: chamando os outros de doutor com a inocência daquele sem o conhecimento científico.
Ouvir uma moda de viola, para um intelectual roqueiro talvez seja o fim, mas pra mim foi um marco, são poucas as coisas que conseguem me despertar sentimento, e são contáveis nos dedos aquelas que me fazem sentir inferior. E esse momento foi um deles! E complementando: agora eu sei por que Raul dizia que Elvis e Luiz Gonzaga eram dois lados da mesma moeda, a crítica e a inteligencia do rock não tem sentido sem o sentimento e a inocência do baião e o baião não tem expressão sem a força do rock. Sei que não fui capaz de transmitir o que queria nesse texto, mas para aqueles que tem a mente aberta gostaria de recomendar algumas músicas:
Filho Adotivo:
Disco Voador:
Oração pela Família:
domingo, 2 de setembro de 2012
CRÍTICA - GUERRA DOS MUNDOS
| Esses são os tripóides amiguinhos |
Essa máquina e uma série de amiguinhas da mesma raça iniciam o extermínio da raça humana (que obviamente não foi concluído, afinal o mocinho sempre consegue), enquanto isso o pai e os filhos seguem a ameaça alienígena até Boston para encontrar a mãe das crianças. No caminho eles se escondem, se separam, destroem dois tripóides, conhecem os extraterrestres e principalmente: a caçula faz questão de gritar incontáveis vezes durante o filme.
![]() |
| Essa é a caçula |
Por final, todas as máquinas humanas falham na tentativa de resistência, mas milagrosamente, como que por um milagre, a própria terra mata esses seres, as bilhões e bilhões de bactérias existentes na terra levam os ET's a morrerem. A minha pergunta é: se esses seres estudaram a raça humana por milhares de anos, se eles tinham robôs enterrados na terra por tanto tempo, como eles não foram nem capazes de mandar um sonda (como aquelas que mandamos pra Marte) só pra analisar a existência de formas de vida bacterianas perigosas?
E por fim, é claro, temos uma ótima narração privilegiando o ego humano e transformando o filme em uma lição divina, todos sabem q o direito de viver na Terra é EXCLUSIVAMENTE HUMANO, não é? E que como a terra foi projetada exclusivamente pra os humanos, esse nunca morrem e sempre terão toda a proteção necessária conta todos os males? (menos contra si mesmo...)
O filme deixa claro que o homem é o lobo do homem, deixa claro a hipocrisia e mostra que não valemos realmente nada. Eu estava torcendo pelos extraterrestres, pelo menos eles eram unidos. Agora, vamos supor que isso realmente tivesse acontecido, qual seria a lição tirada pela raça humana? Não devemos invadir o espaço alheio? Devemos cuidar da natureza? Devemos ser mais unidos? É claro que não! A lição é que quando precisarmos de invadir outro planeta, de seres inferiores, daqui alguns anos, devemos antes verificar a existência de ameaças biológicas, e ao invés de atirar, investir em armas biológicas.
Mas é claro que tudo é lindo do final, o mundo todo está destruído, toda a economia está no chão, bilhões de pessoas foram mortas, mas a família encontrou a mãe em Boston. Na minha opinião, é um ótimo filme para se assistir, e um filme excelente para assistir com olhos de crítico. E tomem cuidado, os extraterrestres podem estar te observando!
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