Pague a conta do analista,
No carro, mais uma revista,
Peça para o psiquiatra te internar,
Pela simples anormalidade de amar.
Aceite as verdades que todos aceitam,
Tenha fé, coma pipoca, seja também um amigo idiota.
Dê conselhos desmedidos,
Verdades subjetivas e ilusórias para todos.
Abandone-se,
Encare a possibilidade de que não escolher
Não é uma escolha, muito menos o sensato a fazer.
Releve-se.
Seja bom com deus,
Você não tem certeza se é realmente como você pensa ser,
Desapegue e deixe morrer.
Pois o morto sempre foi e sempre será o morto.
Leia rimas mal feitas de um poeta torto,
Ordene o caos pela sua vontade,
Note que de toda ordem, errada é aquela
Que um dia leva a julgá-la errada.
Você não é imprescindível no mundo,
Pode morrer amanhã e em cem anos nunca mais será
lembrado,
Não importa se teve um brilhante doutorado,
Ou foi mais um simples aloprado.
Pague a conta do analista,
Talvez ele não vá querer mais te assistir,
Talvez até ele já vai desistir,
Sem ao menos realmente sentir.
