sexta-feira, 30 de novembro de 2012

FAÇA!


Pague a conta do analista,
No carro, mais uma revista,
Peça para o psiquiatra te internar,
Pela simples anormalidade de amar.

Aceite as verdades que todos aceitam,
Tenha fé, coma pipoca, seja também um amigo idiota.
Dê conselhos desmedidos,
Verdades subjetivas e ilusórias para todos.

Abandone-se,
Encare a possibilidade de que não escolher
Não é uma escolha, muito menos o sensato a fazer.
Releve-se.

Seja bom com deus,
Você não tem certeza se é realmente como você pensa ser,
Desapegue e deixe morrer.
Pois o morto sempre foi e sempre será o morto.

Leia rimas mal feitas de um poeta torto,
Ordene o caos pela sua vontade,
Note que de toda ordem, errada é aquela
Que um dia leva a julgá-la errada.

Você não é imprescindível no mundo,
Pode morrer amanhã e em cem anos nunca mais será lembrado,
Não importa se teve um brilhante doutorado,
Ou foi mais um simples aloprado.

Pague a conta do analista,
Talvez ele não vá querer mais te assistir,
Talvez até ele já vai desistir,
Sem ao menos realmente sentir.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O AVESSO DO DE CABEÇA PRA BAIXO

Impressiona-me o modo como as coisas foram feitas no mundo, parece que o mundo não foi bem feito para girar. Não sei, talvez seja paranóia, e, baseado nos meus antecedentes, tenho 99% de certeza de que seja paranóia, mas mesmo assim, algo me diz que tenho que acreditar que não é. Bem, nenhum psicopata admite ser psicopata, logo, não vejo tanta lógica na lógica.

O fato é que a mentira da mentira nem sempre é o oposto da mentira, temos que admitir que a mentira da mentira possa ser a verdade, mas é muito mais fácil que seja a mentira. Podemos entender também que a verdade da mentira da mentira é uma mentira e que talvez até a verdade verdadeira seja um pleonasmo mentiroso e que talvez o pleonasmo nem seja mais verdade (não indicando que ele seja mentira).

Eu tenho fé que somos uma raça que evoluiu dos alienígenas, ainda tenho dúvidas quanto ao nosso planeta de origem, mas provavelmente é um desses que a gente nomeia como Sifrus 4RF, mas talvez eu nem seja apto a ter fé, já que dada a ordem cronológica, lida de trás pra frente, eu aprendi o significado de fé ontem.

Sabe, eu posso jurar que vejo algum sentido nesse texto, talvez fosse necessário falar mais algumas verdades, como que Hitler era uma dançarina de axé ou que na verdade o Woodstock foi um festival de pagode que aconteceu na pequena cidade de Santa Cruz de Minas, mais precisamente com apenas quatro pessoas (e só uma delas cantava algo) dentro de uma garagem, ao lado de um fusca ano 64 (ainda com a inscrição do período revolucionário, se não me falha a memória dos períodos que eu não vivi, dos tempos em que a AI-5 tinha libertado o país das garras do tirano Napoleão Bonaparte).

Outro fato que muito me lembra esse caso é o domínio da ideologia Cubana até os dias de hoje, algo desenvolvido principalmente depois que Fidel Castro foi eleito Papa. Hoje em dia quase todo filme tem uma bandeira da revolução tremendo, os descendentes de Che se tornaram semi-deuses e quem é contra a ideologia de Marx (aquela que prega que só o consumo desenfreado pode causar a felicidade) é morto queimado pelo governo, acusado de heresia.

Mas de tudo que já me contaram o único fato do qual eu duvido é da existência da liberdade real, digo, as coisas vão muito bem agora no mundo, todo mundo tem uma vida sã, somos abençoadamente controlados pelo governo, até em nossas próprias casas e muitos daqueles que jogam injúrias de amor contra o governo são levados para um lugar especial, na verdade, minha vida tem muito sentido agora que eu não preciso mais pensar, palavra essa que, aliás, será removida do nosso dicionário ano que vêm. Eu, pessoalmente, se tivesse opinião gostaria dessa remoção, vai economizar mais floresta, e vocês sabem, o preço do oxigênio tá caro.

domingo, 18 de novembro de 2012

FILME: A SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

O filme “A sociedade dos poetas mortos” descreve, e encarna no enredo a expressão latina Carpe Diem, que talvez seja o mais inteligente e aplicável fruto do pensamento. A história se passa em um colégio arcaico, com metas, objetivos e métodos extremamente tradicionais, eis que um novo professor de literatura, digamos, uma mosca na sopa, tenta desbravar a mente daqueles alunos e ensinar a pensar por si próprios, fazendo com que volte a existir uma antiga comunidade entre os alunos: a sociedade dos poetas mortos. Por fim o filme trata de questões humanas e filosóficas (embora eu creia que isso seja um pleonasmo) de maneira envolvente, derrubando conceitos, construindo consciências e mostrando o poder da palavra.

Confira o trailer:


Interessados podem baixar o torrent no link:

http://www.4shared.com/file/PLud81gu/sociedade_dos_poetas_mortosdub.html
(o arquivo é dublado, o filme completo está em AVI - 552MB)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CARPE DIEM

Faz alguns anos que pregamos Jesus numa cruz, e até hoje parece que continuamos a fazer isso diariamente, pregando o ideal de solidariedade, de irmandade, de respeito e de amor ao próximo com pregos feitos de hipocrisia.

Não vou ser otimista, nem pessimista, mas o mundo está saturado de humanos, nosso consumo em pouco tempo irá ultrapassar o dito aturável, o que me faz pensar que em poucos duzentos anos não restará mais o progresso. Como muitos filósofos já devem ter falado: seres intelectualizados normalmente são extremamente burros em relação às coisas simples, ou seja, formigas lidam muito melhor com o meio ambiente que um humano.

Sou feliz de saber que não precisarei esperar o Sol engolir a Terra para ver o fim da nossa raça, talvez eu ainda esteja lá no dito apocalipse. Mas por enquanto, ainda seguindo a linha do pensamento individualista e “anti-descendente “, nós, jovens dos anos 10 podemos nos julgar a última geração a ver o mundo feliz. Então por que obedecer as regras banais? Será que no fundo nós ainda somos como nossos pais?

Temos e devemos viver intensamente, ora para honrar o fim da nossa raça, ora pela nossa própria felicidade ou apenas por que é legal ir contra as regras convictas do mundo. Podemos deixar a frescura de lado, deixar a mentira num potinho de margarina lá dentro de casa, parada. Podemos admitir os erros, podemos errar mais. Podemos amar muito mais. Podemos deixar o ego de lado, esquecer esse papo de eternidade, sair das igrejas e ajudar outras pessoas a viverem essa mesma intensidade. E claro: podemos falar o que pensamos e se acabar em guerra temos certeza que vai dar em empate (os dois perdem). Os mais exaltados podem querer se rebelar contra o regime opressor: é de direito.

Meu caro leitor, se temos a certeza do fim, deixemos o homem se consumir, sem humanos não existe céu e nem inferno, então não iremos para nenhum desses, vamos: aceite que somos o nada e voltaremos ao nada, tudo por que não valemos nada e que sem saber a resposta pra todas as perguntas inquietantes da filosofia de todos os tempos e homens o melhor que temos a fazer é viver intensamente (pois essa é certeza de felicidade).

Carpe diem!!!

domingo, 28 de outubro de 2012

18 LINHAS DE HUMANIDADE

Dizem ser humano todo aquele
que faz parte de uma certa espécie,
que segue cabeças que não são dele,
que as leis alheias obedece.

Eu, por milagre ocorrente,
discordo, julgo incoerente,
talvez homem seja apenas uma condição,
talvez seja um papo dos poetas do coração.

Somos, ou talvez um de nós não seja,
humanos maltratados, maltrapilhos, felizes,
humanos ricos, vivos e em crises,
que nessa imensa ilusão se afogam em copos de cerveja.

Veja bem, meu bom homem,
vai a missa, diz amém,
mas não sabe se é alguém.

Se do humano abstraísse a humanidade
restaria a mais pura vaidade
e se de muitos isso fizesse restaria a maldade.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SE AS PALAVRAS FOSSEM COMO OS HUMANOS

Imagine se a palavra fosse humana, digo, imagine se a palavra fosse capaz de pensar, de decidir (...) e humana também a ponto de aceitar o preconceito, de se dividir e ser hipócrita. Definitivamente, o ser humano não teria paz e nem as palavras. Como por natureza, a palavra teria o extinto de sobrevivência, ela, portanto, iria conservar os humanos. Ela manipularia nossas relações faladas e escritas, quando os líderes humanos estivessem se unindo para pôr fim a uma guerra, se fosse do interesse das palavras elas se negariam a sair, inverteriam seus fonemas e mudariam toda a conversa, prendendo ali o homem sem voz própria.

As palavras também teriam seus preconceitos, o que dizer das duas potências: a palavra falada e a palavra escrita. Nas escolas das palavras seria ensinado que as palavras de outras línguas são selvagens e que a barbárie devia ser eliminada. Seriam travadas guerras entre as palavras, os humanos seriam usados e pouco a pouco elas manipulariam o mundo e uma língua mais forte seria global.

A palavra dita pelo gago seria menos poderosa que a dita por um bom apresentador, no mundo das palavras aquelas que deterem os homens mais poderosos mandariam nas que deterem os mais fracos. A única forma não manipulável de expressão que o homem teria seria a arte, mas mesmo assim a palavra poderia se negar a sair na hora de comprar a tinta!

O sonho da eternidade também estaria presente entre elas, haveria durante a vida todo um momento de preparação até que ela fosse dita, e quando a palavra dita fosse efetivamente dita diriam que ela foi para um lugar melhor, um lugar onde as palavras não dependem do homem, esse seria o paraíso. Já a palavra escrita se sentiria superior e eterna, mera ilusão, nas guerras entre as palavras, a aliança das palavras orais (que uniriam todas as línguas, mas apenas a classe oral, por que todos sabem que pela guerra existe a união) controlaria a fala das pessoas de modo a criar imensas queimas de livros, incentivariam também que arquivos de texto fossem deletados. Aquelas palavras escritas em mármore ou aquelas guardadas em museus humanos, estas, independente da língua, seriam tidas como heróis, seriam elas veneradas por todos, pois estas sim teriam se eternizado. Outro grande engano: as palavras seriam sempre eternas enquanto os humanos durassem.

A consciência da palavra seria independente do homem em que habitasse, mas todas as palavras se sentiriam mal, viveriam com um vazio em si, pois mesmo sendo poderosas ao ponto de comandar a humanidade pela própria vontade, elas não poderiam ser independentes dos humanos. Teriam seus egos esmagados, cortados ao meio e depois colados.

Os humanos, esses seriam simples e meras ferramentas para as palavras, sempre oprimidos e que muito pouco provavelmente desenvolveriam uma revolução, já que o inimigo estaria nele! Seria impossível montar uma revolução sem ser visto. E os homens que traíssem o governo da palavra não seriam mortos, muito menos enviados para prisões, seriam feitos incompreensíveis, deles seria tirada a humanidade, se tornariam novamente animais sem a capacidade de se comunicar, seriam consciências sem liberdade, desejariam a todo custo a morte, mas nunca poderiam se matar.



De ego ferido as palavras não seriam felizes e sem liberdade a humanidade desejaria a morte. Pergunto se já não é assim? Quando invertemos o homem de dono da ferramenta para uma simples ferramenta é isso que fazemos...