sexta-feira, 30 de novembro de 2012

FAÇA!


Pague a conta do analista,
No carro, mais uma revista,
Peça para o psiquiatra te internar,
Pela simples anormalidade de amar.

Aceite as verdades que todos aceitam,
Tenha fé, coma pipoca, seja também um amigo idiota.
Dê conselhos desmedidos,
Verdades subjetivas e ilusórias para todos.

Abandone-se,
Encare a possibilidade de que não escolher
Não é uma escolha, muito menos o sensato a fazer.
Releve-se.

Seja bom com deus,
Você não tem certeza se é realmente como você pensa ser,
Desapegue e deixe morrer.
Pois o morto sempre foi e sempre será o morto.

Leia rimas mal feitas de um poeta torto,
Ordene o caos pela sua vontade,
Note que de toda ordem, errada é aquela
Que um dia leva a julgá-la errada.

Você não é imprescindível no mundo,
Pode morrer amanhã e em cem anos nunca mais será lembrado,
Não importa se teve um brilhante doutorado,
Ou foi mais um simples aloprado.

Pague a conta do analista,
Talvez ele não vá querer mais te assistir,
Talvez até ele já vai desistir,
Sem ao menos realmente sentir.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O AVESSO DO DE CABEÇA PRA BAIXO

Impressiona-me o modo como as coisas foram feitas no mundo, parece que o mundo não foi bem feito para girar. Não sei, talvez seja paranóia, e, baseado nos meus antecedentes, tenho 99% de certeza de que seja paranóia, mas mesmo assim, algo me diz que tenho que acreditar que não é. Bem, nenhum psicopata admite ser psicopata, logo, não vejo tanta lógica na lógica.

O fato é que a mentira da mentira nem sempre é o oposto da mentira, temos que admitir que a mentira da mentira possa ser a verdade, mas é muito mais fácil que seja a mentira. Podemos entender também que a verdade da mentira da mentira é uma mentira e que talvez até a verdade verdadeira seja um pleonasmo mentiroso e que talvez o pleonasmo nem seja mais verdade (não indicando que ele seja mentira).

Eu tenho fé que somos uma raça que evoluiu dos alienígenas, ainda tenho dúvidas quanto ao nosso planeta de origem, mas provavelmente é um desses que a gente nomeia como Sifrus 4RF, mas talvez eu nem seja apto a ter fé, já que dada a ordem cronológica, lida de trás pra frente, eu aprendi o significado de fé ontem.

Sabe, eu posso jurar que vejo algum sentido nesse texto, talvez fosse necessário falar mais algumas verdades, como que Hitler era uma dançarina de axé ou que na verdade o Woodstock foi um festival de pagode que aconteceu na pequena cidade de Santa Cruz de Minas, mais precisamente com apenas quatro pessoas (e só uma delas cantava algo) dentro de uma garagem, ao lado de um fusca ano 64 (ainda com a inscrição do período revolucionário, se não me falha a memória dos períodos que eu não vivi, dos tempos em que a AI-5 tinha libertado o país das garras do tirano Napoleão Bonaparte).

Outro fato que muito me lembra esse caso é o domínio da ideologia Cubana até os dias de hoje, algo desenvolvido principalmente depois que Fidel Castro foi eleito Papa. Hoje em dia quase todo filme tem uma bandeira da revolução tremendo, os descendentes de Che se tornaram semi-deuses e quem é contra a ideologia de Marx (aquela que prega que só o consumo desenfreado pode causar a felicidade) é morto queimado pelo governo, acusado de heresia.

Mas de tudo que já me contaram o único fato do qual eu duvido é da existência da liberdade real, digo, as coisas vão muito bem agora no mundo, todo mundo tem uma vida sã, somos abençoadamente controlados pelo governo, até em nossas próprias casas e muitos daqueles que jogam injúrias de amor contra o governo são levados para um lugar especial, na verdade, minha vida tem muito sentido agora que eu não preciso mais pensar, palavra essa que, aliás, será removida do nosso dicionário ano que vêm. Eu, pessoalmente, se tivesse opinião gostaria dessa remoção, vai economizar mais floresta, e vocês sabem, o preço do oxigênio tá caro.

domingo, 18 de novembro de 2012

FILME: A SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

O filme “A sociedade dos poetas mortos” descreve, e encarna no enredo a expressão latina Carpe Diem, que talvez seja o mais inteligente e aplicável fruto do pensamento. A história se passa em um colégio arcaico, com metas, objetivos e métodos extremamente tradicionais, eis que um novo professor de literatura, digamos, uma mosca na sopa, tenta desbravar a mente daqueles alunos e ensinar a pensar por si próprios, fazendo com que volte a existir uma antiga comunidade entre os alunos: a sociedade dos poetas mortos. Por fim o filme trata de questões humanas e filosóficas (embora eu creia que isso seja um pleonasmo) de maneira envolvente, derrubando conceitos, construindo consciências e mostrando o poder da palavra.

Confira o trailer:


Interessados podem baixar o torrent no link:

http://www.4shared.com/file/PLud81gu/sociedade_dos_poetas_mortosdub.html
(o arquivo é dublado, o filme completo está em AVI - 552MB)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CARPE DIEM

Faz alguns anos que pregamos Jesus numa cruz, e até hoje parece que continuamos a fazer isso diariamente, pregando o ideal de solidariedade, de irmandade, de respeito e de amor ao próximo com pregos feitos de hipocrisia.

Não vou ser otimista, nem pessimista, mas o mundo está saturado de humanos, nosso consumo em pouco tempo irá ultrapassar o dito aturável, o que me faz pensar que em poucos duzentos anos não restará mais o progresso. Como muitos filósofos já devem ter falado: seres intelectualizados normalmente são extremamente burros em relação às coisas simples, ou seja, formigas lidam muito melhor com o meio ambiente que um humano.

Sou feliz de saber que não precisarei esperar o Sol engolir a Terra para ver o fim da nossa raça, talvez eu ainda esteja lá no dito apocalipse. Mas por enquanto, ainda seguindo a linha do pensamento individualista e “anti-descendente “, nós, jovens dos anos 10 podemos nos julgar a última geração a ver o mundo feliz. Então por que obedecer as regras banais? Será que no fundo nós ainda somos como nossos pais?

Temos e devemos viver intensamente, ora para honrar o fim da nossa raça, ora pela nossa própria felicidade ou apenas por que é legal ir contra as regras convictas do mundo. Podemos deixar a frescura de lado, deixar a mentira num potinho de margarina lá dentro de casa, parada. Podemos admitir os erros, podemos errar mais. Podemos amar muito mais. Podemos deixar o ego de lado, esquecer esse papo de eternidade, sair das igrejas e ajudar outras pessoas a viverem essa mesma intensidade. E claro: podemos falar o que pensamos e se acabar em guerra temos certeza que vai dar em empate (os dois perdem). Os mais exaltados podem querer se rebelar contra o regime opressor: é de direito.

Meu caro leitor, se temos a certeza do fim, deixemos o homem se consumir, sem humanos não existe céu e nem inferno, então não iremos para nenhum desses, vamos: aceite que somos o nada e voltaremos ao nada, tudo por que não valemos nada e que sem saber a resposta pra todas as perguntas inquietantes da filosofia de todos os tempos e homens o melhor que temos a fazer é viver intensamente (pois essa é certeza de felicidade).

Carpe diem!!!

domingo, 28 de outubro de 2012

18 LINHAS DE HUMANIDADE

Dizem ser humano todo aquele
que faz parte de uma certa espécie,
que segue cabeças que não são dele,
que as leis alheias obedece.

Eu, por milagre ocorrente,
discordo, julgo incoerente,
talvez homem seja apenas uma condição,
talvez seja um papo dos poetas do coração.

Somos, ou talvez um de nós não seja,
humanos maltratados, maltrapilhos, felizes,
humanos ricos, vivos e em crises,
que nessa imensa ilusão se afogam em copos de cerveja.

Veja bem, meu bom homem,
vai a missa, diz amém,
mas não sabe se é alguém.

Se do humano abstraísse a humanidade
restaria a mais pura vaidade
e se de muitos isso fizesse restaria a maldade.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SE AS PALAVRAS FOSSEM COMO OS HUMANOS

Imagine se a palavra fosse humana, digo, imagine se a palavra fosse capaz de pensar, de decidir (...) e humana também a ponto de aceitar o preconceito, de se dividir e ser hipócrita. Definitivamente, o ser humano não teria paz e nem as palavras. Como por natureza, a palavra teria o extinto de sobrevivência, ela, portanto, iria conservar os humanos. Ela manipularia nossas relações faladas e escritas, quando os líderes humanos estivessem se unindo para pôr fim a uma guerra, se fosse do interesse das palavras elas se negariam a sair, inverteriam seus fonemas e mudariam toda a conversa, prendendo ali o homem sem voz própria.

As palavras também teriam seus preconceitos, o que dizer das duas potências: a palavra falada e a palavra escrita. Nas escolas das palavras seria ensinado que as palavras de outras línguas são selvagens e que a barbárie devia ser eliminada. Seriam travadas guerras entre as palavras, os humanos seriam usados e pouco a pouco elas manipulariam o mundo e uma língua mais forte seria global.

A palavra dita pelo gago seria menos poderosa que a dita por um bom apresentador, no mundo das palavras aquelas que deterem os homens mais poderosos mandariam nas que deterem os mais fracos. A única forma não manipulável de expressão que o homem teria seria a arte, mas mesmo assim a palavra poderia se negar a sair na hora de comprar a tinta!

O sonho da eternidade também estaria presente entre elas, haveria durante a vida todo um momento de preparação até que ela fosse dita, e quando a palavra dita fosse efetivamente dita diriam que ela foi para um lugar melhor, um lugar onde as palavras não dependem do homem, esse seria o paraíso. Já a palavra escrita se sentiria superior e eterna, mera ilusão, nas guerras entre as palavras, a aliança das palavras orais (que uniriam todas as línguas, mas apenas a classe oral, por que todos sabem que pela guerra existe a união) controlaria a fala das pessoas de modo a criar imensas queimas de livros, incentivariam também que arquivos de texto fossem deletados. Aquelas palavras escritas em mármore ou aquelas guardadas em museus humanos, estas, independente da língua, seriam tidas como heróis, seriam elas veneradas por todos, pois estas sim teriam se eternizado. Outro grande engano: as palavras seriam sempre eternas enquanto os humanos durassem.

A consciência da palavra seria independente do homem em que habitasse, mas todas as palavras se sentiriam mal, viveriam com um vazio em si, pois mesmo sendo poderosas ao ponto de comandar a humanidade pela própria vontade, elas não poderiam ser independentes dos humanos. Teriam seus egos esmagados, cortados ao meio e depois colados.

Os humanos, esses seriam simples e meras ferramentas para as palavras, sempre oprimidos e que muito pouco provavelmente desenvolveriam uma revolução, já que o inimigo estaria nele! Seria impossível montar uma revolução sem ser visto. E os homens que traíssem o governo da palavra não seriam mortos, muito menos enviados para prisões, seriam feitos incompreensíveis, deles seria tirada a humanidade, se tornariam novamente animais sem a capacidade de se comunicar, seriam consciências sem liberdade, desejariam a todo custo a morte, mas nunca poderiam se matar.



De ego ferido as palavras não seriam felizes e sem liberdade a humanidade desejaria a morte. Pergunto se já não é assim? Quando invertemos o homem de dono da ferramenta para uma simples ferramenta é isso que fazemos...

sábado, 20 de outubro de 2012

MISTÉRIO

Eu admiro a maneira como algumas pessoas conseguem esconder o que realmente sentem. No fundo, não só elas, mas todas as pessoas que as cercam sabem que aquilo que elas apresentam não corresponde a verdade. Mas ainda assim todos tentam se convencer de que estão errados, tentam acreditar na sinceridade. Por fim, não é mais sincero aquilo que tentamos ser do que aquilo que realmente somos?

Pessoas caminham na rua com sorrisos no rosto, mas carregam em seus ombros o enterro de pais ou irmãos. Outras andam cabisbaixas, com olhares profundos, sem emoções, mas receberam o beijo de seus amores naquele dia.

Óbvio que isto foi apenas uma generalização, mas é certo que algumas pessoas preferem guardar para si o que sentem. E as vezes tenho medo disso, pois sou uma dessas pessoas e sei que isso não é normal. Principalmente porque me incomodam aquelas pessoas transparentes, as quais entendemos só de olhar, as quais sabemos exatamente o que se passa com suas vidas, pois elas não se contém em mostrar para o mundo o que são. São pessoas de fácil acesso e fácil socialização.

As vezes penso que é orgulho, em outros momentos penso ser o ego saltando do corpo. Em qualquer situação, prefiro o mistério. Prefiro as pessoas perturbadas, que se esforçam para não serem descobertas... Quem têm medo disso. O medo mostra, em boa parte das vezes, que viveram e que aprenderam com a vida. E uma pessoa realmente experiente não confia em ninguém os segredos do seu viver.
Matheus Henrique

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

POETA DE ESQUERDA

Vou escrever uma poema
Que faça doer o peito
Daquele leitor suspeito
Que passeia por Ipanema.
Que faça todo pseudo-intelectual
Conhecer seu lado animal
Abandonar os contos de fada
E entrar de vez na jogada.
Porque o mal do "pseudismo"
É que acham que estão no paraíso
Quando na verdade não estão.

O meu paraíso eu escrevo,
Meu inferno eu mesmo crio.
Se não acreditasse no que vejo,
Qual seria meu destino?

Por isso quero escrever algo
Que toque a alma de alguém
E faça com que todos que mal julgo
Possam me entender também.

Seja lá o que for
Pretendo enxergar com amor
E assinar qualquer que seja a letra,
Pois sou poeta que escreve com a esquerda
E anda tonteando por aí,
Até um dia, realmente cair.

CEIFADORA

Na trama e na luta,
convence e refuta.
No caos ou na ordem,
convoca a desordem.

Como senhora dos homens,
escolhe o próximo a morrer,
e o torne refém,
da própria vontade de viver.

Se na guerra a arma falha,
segura está,
crente que em toda batalha,
sempre vencerá.

Quando na mina,
o ouro perece,
não hesita, não abaixa a crina
quando a morte chama a sua pequenina.
Enfim o homem amolece,
sabe que acima de si muito discrimina.
Ô morte, bate no peito do forte
e leva a morte,
bate no peito do fraco,
e faz dele conhecedor do carrasco!

Lucas Resende

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

HUMANO

Humano por natureza,
Filósofo por esperteza.
Solitário por opção,
Senhor da provocação.

Humano:
Sem classe,
Morre no enlace.
Sem moral,
Vai pra cruz, pregado no pau.
Sem luz,
Mesmo assim a todos conduz.

Sem arma,
Mas com jeito,
Estufa o peito,
E não alarma.

Filósofo:
Sem verdades,
Se rende as suas vaidades,
Quer saber o por quê,
Mas não sabe pra quê.

Como um metal,
Aperta as questões,
Como um animal,
Quer saber as razões.

Sem escolha não hesita em escolher,
Se deus existe¿
Não basta apenas ver para crer,
Antes, quero saber se que vejo consiste¿

Sonha com um mundo diferente,
Luta armado de livros até a mente,
Eterniza com o sopro e a brisa,
A verdade que agoniza.

Concede ao mundo uma nova visão,
Mas sabe: a vida é o cão!
Em terra de sem mente,
Profere se chamar de indigente.

Escreve,
faz no pensamento bola-de-neve,
Mas, por deus ou pelo caos, será que eu tenho moral¿
Não sei, no mundo do status tudo depende do seu “Know how”!

Solitário:
Das pessoas espera apenas
Os julgamentos mais amenos.
Mas reconhece a boca-grande,
Mentiras que voam como penas,
Espalhando aos mil terrenos,
O inferno de Dante.

Dessas relações,
Nada sobra além da empatia.
Mas vamos, sem intromissões,
Sorria hipocrisia.

Das pessoas nada cria,
Por isso, evite a rebeldia,
Como disse, de você espero apenas sua empatia.

Do amor, evita o furor,
Da mulher, se torce e contorce,
Do amigo, espera apenas segurança,
Do inimigo, extrai sua esperança.

Provocador:
Não me diga,
Se ele é doutor,
E eu apenas uma lombriga caio na briga,
Sair daqui, não vou não, senhor.

Se tua sociedade se baseia em status,
Fuja, minha querida,
Não sou como todos, tolos,
Eu controlo a minha vida.

Se sua ideologia é firme e infalível,
Vou te contar,
Hitler e Napoleão, dois homens de moral plausível,
E de plano infalível conseguiram afundar.

Vampiro da verdade,
Raposa dos segredos,
Amante da piedade,
Cheio de medos.

Viveu em tempos distantes,
Aqueles sem grandes governantes,
Aqueles sem livros nas estantes,
Viveu,
cresceu,
e morreu.

Se de si sobrou a alma,
Se nega a acreditar.
Com metafísica não tem calma,
Nem um pingo de paciência,
Nega sua própria existência,
Odeia sua descendência.

Lucas Resende

MAIS UM ACIDENTE

Eu estou aqui,
bem... realmente queria estar ali.
Mas por mais que eu tente,
você é a minha maior corrente.

É o cúmulo do ridículo,
amar o que se faz odiar,
se matar é uma pena forte.
Mas nada supera essa morte,
tranca minha alma e lança ao mar,
e meu coração junto num cubículo.

Queria poder querer,
queria saber drenar a mim mesmo!
Esforços? Todos a esmo!
Queria poder esquecer.

Não, essa melancolia não é minha,
mas culmino em te ver sozinha.
Queria a certeza da vitória,
queria a honra dos dias de glória.

Você não se mede
Dizima meu ego, sem lição.
Na dor me pede:
Por favor, costure meu coração.

Claro, não duvide:
não haverá na sua vida,
outro alguém que te amará tão sem medida!
Claro, duvide:
Entre almas não existe dependência,
meu amor, o que eu sinto é carência!

Lucas Resende

terça-feira, 16 de outubro de 2012

JUSTIÇA


                Não sei falar sobre justiça. Justiça para mim vai além de livros e manuais que regulam o comportamento humano, vai além daquilo que o homem pode fazer. A justiça, no âmbito da sociedade humana, implica em dar à alguma pessoa exatamente aquilo que ela merece.
                E como saber o que uma pessoa merece? Não podemos saber. Aliás, se soubéssemos já não seriamos mais merecedores daquilo, pois o merecimento se relaciona com a reação de cada pessoa frente ao imprevisto. O que quero dizer é que, ao não prevermos algo, ficamos abertos a merecer uma infinidade de coisas, e ao recebê-la, saberemos se a merecemos de verdade.
                Isso faz com que eu veja que minha ideia é estúpida. Não podemos conquistar as coisas por que as merecemos, pois a conquista vem antes do merecimento. Desejamos algo, e a partir do momento que ganhamos qualquer coisa que seja, estamos a provar que esta coisa que ganhamos é a que precisamos.
                Não sei se o que digo tem nexo, só gostaria de manifestar minha insatisfação com o modo como a vida funciona. Um garoto se mata de estudar, se esforça em uma escola, mas não consegue atingir os mesmo méritos de um outro garoto que mal ia na escola. Isso me faz questionar o fundamento da vida.
                Os esforçados merecem a inteligência, mas não a tem. Talvez essa falta gere o esforço. Em contrapartida, alguns gênios preocupam-se com nada e pouco se esforçam pelos seus méritos, ou quando se esforçam, o fazem para nutrir suas necessidades.
                Só o que quero dizer é que algumas pessoas não merecem a inteligência que têm. E algumas outras... Algumas outras são tão injustiçadas...
Matheus Henrique

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PENSAMENTOS - I

Se eu disser que estou escrevendo algo para mudar o mundo posso criar dois grandes problemas: ou eu não termino o que comecei e as pessoas esperam eternamente enquanto eu amargo em minha neurose, ou eu termino e mostro que o algo que mudaria o mundo é só um texto sem fundamento e termino por me amargar  na incompetência minha.
Digo então que estou escrevendo algo, mas que posso também não estar escrevendo. E que é algo bom, mas que pode também não ser...
A incerteza é sempre a melhor arma contra a decepção.

CARTA DE SUICÍDIO DE KURT COBAIN

Desde de que encontrei isso na internet não parei de ler, o Matheus disse que foi essa a reação dele ao encontrar a carta também, então aproveitem a leitura:

Carta de suicídio de Kurt Cobain:

Para Boddah (amigo imaginário de infância)

Falando como um simplório experiente que obviamente preferiria ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.
Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo independência e o abraçar de sua comunidade, provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído ensandecido da multidão começa, nada me afetava do jeito que afetava Freddie Mercury, que costumava amar, deliciar com o amor e adoração da multidão – o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo.
O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo 100 por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.
Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal conseguir funcionar. Não posso suportar a idéia de Frances se tornando o triste, autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei.
Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz, Amor, Empatia.

Kurt Cobain
Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances. Pela vida dela, que vai ser tão mais feliz sem mim.
EU TE AMO, EU TE AMO!

domingo, 30 de setembro de 2012

MUDAR O MUNDO

Dias de luta sempre serão os dias de glória, é da luta que vem a terra, é da luta que vem a vitória, é da luta que vem o prêmio, é na luta que aprendemos com nossas falhas, é na luta que morremos, mas com um ideal. Mas algo inaceitável é pedir da vida a glória sem dar a vida à luta. Todos os dias alguém chega a casa, liga o rádio ou a televisão e ouve sobre o assassinato de três pessoas em tal lugar por tal motivo – normalmente um motivo inútil. Essa pessoa se revolta e no extremo ápice da sua revolta abre a boca e diz: esse mundo não muda mesmo. Realmente eu não sei o que seria do mundo sem esse comentário, devemos aplaudi-lo de pé.

Já estamos tão acostumados com o mundo a nossa volta que paramos de pensar que ele pode ser melhor, talvez seja por isso que as crianças sempre têm essa força e essa vontade: mudar o mundo, por quê elas estão a pouco tempo por aqui e vêem nas dificuldades um ponto de saída para o ideal. Mas afinal: o que é mudar o mundo¿ Pode ser criar um partido político e lutar pela reforma agrária, pode ser cantar e morrer de overdose deixando milhares de fãs, pode ser abrir um albergue, pode ser se tornar presidente da maior nação do mundo ou pode simplesmente ser a ajuda mútua entre estranhos.

Mudar o mundo envolve um esforço tremendo, não é por pouco que tão poucos são aqueles que mudam, mas outra prova é que uma pessoa sozinha pode mudar o mundo: foi assim em todas aquelas revoluções que vemos na escola. Por incrível que pareça mudar o mundo desde séculos atrás tem sido algo focado em paz, amor, liberdade e igualdade entre os homens. Não me parecem uma mudança de governo, nem uma nova inovação tecnológica, diria até ser algo simplesmente solúvel, basta que cada um respeite o outro. Mas acredite: isso é muito difícil!

Somos humanos, e isso significa que temos (por natureza) duas mãos, dois pés, dois olhos, uma boca, cabelo e uma hipocrisia que dá de mil na dos cachorros. Temos também a capacidade de odiar pessoas apenas pelos seus estereótipos, de brigar por nada, de matar por amor, de ser falso por status, de mentir pelo individualismo e de sonhar com um mundo melhor, onde todos são legais, gentis e ninguém faz isso – mesmo que nos façamos.

Mudar o mundo é algo cultural, as pessoas têm que se cativarem para mudar o mundo de verdade, mas como cativar as pessoas¿ Enchentes e fotos de crianças africanas são ótimas opções, oferecer sexo em troca talvez seja a melhor, mas infelizmente nenhum dos dois vale. Algumas palavras bonitas também não levam a lugar algum, digo: a declaração de independência dos EUA é perfeita, mas nem por isso os vizinhos pararam de competir por quem tem a grama mais bem cuidada.

Vamos sempre falar em mudar o mundo e não vamos levantar da cadeira – não por que o mundo está bom e não precisa mudar, mas por que a cadeira e confortável e o mundo pode esperar, aliás, mudar o mundo é coisa de gente doida que estuda filosofia, é melhor ir num show de funk.

A idéia que eu quero plantar é de que simples ações como doar a roupa usada ou dar um abraço em um estranho infeliz podem tornar o mundo mais agradável, mas nunca irão solucionar nossos problemas, precisamos de gente, precisamos ser mais humanistas, precisamos entender que a sociedade é feita de pessoas e não de números, sinceramente eu penso de devíamos parar de contar papel (aqueles com números e desenhos de gente que já morreu ou de lugares que nunca vamos conhecer) e investir em pessoas. A função de tudo que fizemos foi agradar as pessoas, será que chegamos ao ponto de esquecer a origem e passar a agradar a função¿ Um oi, um tudo bem, uma oferta de emprego, é disso que um mendigo precisa pra melhorar de vida, de uma pessoa disposta deixá-lo caminhar com seus próprios pés. Recuperar a criança que você era é preciso, só ela tem o amor e o humanismo capaz de ajudar o próximo. Não vejo perspectivas enquanto não mudarmos, mas vejo a possibilidade da mudança a cada dia estampada nos olhos de uma criança: não é por que hoje sabemos a resposta do por quê que as pessoas morem que deixaremos elas morrerem!

domingo, 9 de setembro de 2012

MUTARE - 10º TEXTO

                "Muita coisa mudou nestes últimos anos. Não saí da infância como a maioria das crianças, eu fui jogado na adolescência e por lá fiquei por pouco tempo. Quando me dei conta já era um adulto rancoroso e triste, assim como a maioria dos adultos que conheci. E o pior disto tudo é que não sei exatamente o que causou esta mudança. Consigo citar alguns acontecimentos, mas sei que eles foram apenas catalisadores. Quais foram os reagentes?"
                "Eu era uma criança normal. Acreditava em Deus, ia a igreja, me apaixonava facilmente e  tinha muitos amigos. Eu gostava de praticar esportes e preferia viver correndo e pulando a sentar em uma cadeira e encarar uma vida virtual por horas. Como num passe de mágica eu mudei. Li Nietzsche e acabei me tornando ateu e a igreja que eu adorava virou o palco das minhas crítica. Li um pouco sobre Freud e fui me tornando frio, cada vez mais racional e cada vez menos humano. Já não sei o que é amar e nem mesmo consigo sentir compaixão. O mundo virtual me absorveu, absorveu minhas dores, e passei a ignorar a realidade que se me apresentava. Ainda sangro, ainda sinto dor, ainda sou humano, mas não penso mais como um ser humano. É até engraçado, mas tem dias que me sinto um androide. "
                - Olá MP - Nuntius vinha saltitando novamente, com o fone nos ouvidos e o cabelo flutuando com a brisa.
                - Olá. Como você está? - disse sem se virar, prosseguindo em seu caminho.
                Nuntius o alcançou naquele instante e parou de saltitar. Seu perfume de erva doce mais uma vez o embebedou. MP respirou fundo e algumas imagens da infância vieram a sua cabeça, mas logo voltou para o presente no momento em que ela respondeu sua pergunta . Sua viagem ao passado durou a infinidade de alguns segundos.
                - Estou bem, um pouco ansiosa, mas e você, como está?
                - Estou bem também. Porque está ansiosa?
                - Porque você ficou de me dizer se iríamos sair ou não. Já faz um tempo que estou esperando sua resposta.
                - Claro. Eu aceito seu convite. Poderíamos sair o mais breve possível, pois quero muito saber as coisas que você têm a me contar.
                - Tudo bem. Fico feliz. Mas... Você sabe que não estou saindo com você apenas por aqueles mistérios não é?
                - Na verdade não. Quais outros motivos tem para sair comigo?
                -  Idiota. Eu poderia simplesmente ter lhe dito o que sei naquele dia, ou mesmo agora, mas não o fiz. Quero passar um tempo com você... Você é um idiota mesmo - nesse momento ela começou a andar mais rapidamente deixando MP para trás.
                MP parou de caminhar e viu-a se destacar a frente. Não entendia o que havia acontecido e não sabia o que deveria fazer. A única coisa que ele entendeu da situação era o que ele estava sentindo. Ele sentia que não devia ter feito aquilo e queria se desculpar.  Começou a correr como que por impulso e logo a alcançou.
                - Nuntius... Eu ... - alguns segundos se passaram em silêncio e ela prestava atenção em suas palavras, ansiosa - Enfim, vamos marcar os detalhes do nosso lanche?
                - Você é mesmo um idiota. Não só isso. Você já está tão danificado que nem um pedido de desculpas consegue fazer. Pense nisso. Mas vamos marcar sim.
                - Não pretendo pensar e você sabe disso. Que dia sairemos?
                - Sei sim, mas tinha uma pequena esperança na sua mudança. Ainda tenho, acho. Enfim, vamos nesta sexta feira?
                - Que dia é hoje?
                - Hoje é quarta feira - respondeu impaciente.
                - Sim, podemos sair sexta feira.
                - Que bom. Então até sexta - ela virou-se, tomou o caminho contrário e voltou a saltitar.
                - Ei, o que está acontecendo? Se o seu caminho é para este lado, porque você está voltando? Porque quando eu lhe tratei mal você foi para este caminho? O que mudou?
                - Entenda MP, eu conheço mais de você do que você imagina. Beijos, louco.
                MP sorriu. Percebeu que foi enganado. Viu que aquela pirraça feita por ela foi apenas para despertar algo que há muito ele não sentia. Ele começou a entender ali o que ela estava fazendo, percebeu que ela estava testando-o  constantemente, conhecendo-o. Passou a ver em tudo que ela fazia, um teste. Ficou feliz por uma lado, pois pensou que se ela ainda o procurava quer dizer que ele estava passando no teste. Por outro lado ele se entristeceu, pois não admitia que uma pessoa pudesse fazer testes para um amigo, quiçá um amor. Havia algo maior naquela relação e que ele era usado em prol das ideias de Nuntius. Sua desumanidade voltou a governar.
                "Ela quer algo comigo, isto é fato, mas eu também quero algo com ela. Quero saber sobre os mistérios da biblioteca. Mas acho que não é isto que me incomoda. Por algum motivo estranho, a opinião dela é importante para mim. Gosto de saber que ela pensa em mim, que fica tramando maneiras de me estudar. Gosto de pensar que eu faço parte de seus engajamentos atuais.  Só não gosto de saber tão pouco dela. Acho que está na hora de o jogo começar a ser jogado pelas duas partes. Porque, com certeza, eu posso descobrir mais dela do que ela pode descobrir de mim. Ela não tem o que eu tenho, esta genialidade superior, é só mais uma garotinha mimada."
                Neste momento três garotos passaram na rua. Os três havia estudado com MP no ensino fundamental e certa feita haviam lhe pregado algumas peças. Ele os reconheceu e a recíproca foi verdadeira.
                - Olha pessoal, o garotinho franzino da escola. Será que ele ainda é aquele idiota? -disse um deles para os outros dois.
                - MP não se importou, continuou seu sentido de deslocamento.
                 Eles começaram então a atravessar a rua e ir na direção de MP. Este ignorou-os e continuou andando sem dar-lhes importância. Quando os garotos chegaram bem perto de MP um deles o empurrou e recebeu como revide um golpe muito forte no nariz, que o jogou no chão. Os outros garotos ficaram assustados, mas logo quiseram briga também. MP desferiu alguns golpes com seu punho contra outro dos garotos e também o jogou no chão, mas foi surpreendido pelo terceiro que lhe chutou as pernas, derrubando-o. Ao cair no chão ele recebeu chutes do garoto que o havia derrubado, e com o passar dos instantes os outros dois o chutaram também. Os golpes atingiam todo seu corpo.
                Naquele instante, graças ao acaso, os amigos de MP apareceram na esquina e logo vieram correndo na direção da briga. Vendo a movimentação os três garotos saíram correndo.
                MP se levantou, com um sangramento no nariz e um corte no supercilho.
                - Quem eram estes garotos? - perguntou Operiet ainda ofegante.
                - Colegas de turma.
                - Entendo. Acabo de perceber que nós quatro fomos as únicas pessoas que conviveram com você e não te odiaram - disse Canere, sorrindo, também ofegante.
                -Alguns momentos passaram em silêncio enquanto MP se limpava.
                - Espero que isto lhe sirva de lição, MP. Você não é de aço, não é o super homem. Algum dia seu ódio o levará para um caminho sem volta - disse Scire, explicitamente revoltado com o acontecido.
                - É claro que não, eu poderia ter batido nos três, só que eu me distraí. Afinal de contas, o que os trouxe até aqui?
                - Bem lembrado - disse Magnus - aquele homem chamado Eventus está na casa de Scire. Pediu que o chamássemos.
                MP ficou paralisado. Achou que Eventus já havia até morrido. Ficou ansioso para o ver. Saiu correndo na direção da casa de Scire. Assim que deu o primeiro passo olhou para a esquina e viu que Nuntius o observava ao longe. Continuou correndo, mas só parou de olhar em sua direção quando virou em outra esquina. Ela o encarava, sem apresentar qualquer expressão.
9º TEXTO<<<<<<<-x->>>>>>>11º TEXTO
Matheus Henrique

sábado, 8 de setembro de 2012

ALMA SERTANEJA

Gosto de escrever crônicas, tanto que é por isso que tenho esse blog - por que não basta escrever se ninguém ler. Ontem fui ao aniversário de 75 anos de um avô meu, até agora não me livrei do sentimento de nostalgia, de culpa, de inferioridade ou de sei lá o que - sim, estou admitindo não saber algo. A coisa que mais me atraiu por lá foi um show de moda de viola, sem contar uma figura que eu conheci - que não vem ao caso.

Aquelas músicas, o som maravilhoso da sanfona, o som arcaico do violão, a inocência das letras, em contraponto ao sentimento, ao realismo, a vida, a verdade... Uma verdadeira aula de história, aprender um pouco mais sobre a vida do trabalhador rural e sobre os desafios e problemas enfrentados por esses homens que construíram a pátria com o preço do seu suor e algumas vezes - do seu sangue. É notável o apelo e o apego a figura divina, pela primeira vez eu senti e compreendi a utilidade de deus no mundo, talvez isso tenha sido uma humanização dos meus conhecimentos e deduções. A ideia de que uma pessoa é capaz de apenas com uma família (como se essa instituição fosse um mero "apenas"...), com amor entre homem e mulher, acordar de madrugada e ir trabalhar no roça, rezar e sentir força para mais um dia são capazes de ser felizes, sem nenhuma necessidade de ostentar poder, de se sentir superior - pelo contrário: chamando os outros de doutor com a inocência daquele sem o conhecimento científico.

Ouvir uma moda de viola, para um intelectual roqueiro talvez seja o fim, mas pra mim foi um marco, são poucas as coisas que conseguem me despertar sentimento, e são contáveis nos dedos aquelas que me fazem sentir inferior. E esse momento foi um deles! E complementando: agora eu sei por que Raul dizia que Elvis e Luiz Gonzaga eram dois lados da mesma moeda, a crítica e a inteligencia do rock não tem sentido sem o sentimento e a inocência do baião e o baião não tem expressão sem a força do rock. Sei que não fui capaz de transmitir o que queria nesse texto, mas para aqueles que tem a mente aberta gostaria de recomendar algumas músicas:

Filho Adotivo:


Disco Voador:



Oração pela Família:


domingo, 2 de setembro de 2012

CRÍTICA - GUERRA DOS MUNDOS

Esses são os tripóides amiguinhos
O filme Guerra dos Mundos, baseado do romance de mesmo nome de H. G. Wells, trás uma perspectiva interessante sobre uma possível ameaça extraterrestre. A trama do filme se passa nos EUA (grande novidade), basicamente um pai é deixado com seus dois filhos (um adolescente e uma garotinha, a mãe deles vai para Boston. E de uma hora pra outra fenômenos estranho começam a aparecer, tempestades ilógicas, ventos contrário, a terra começa a rachar e de lá de dentro uma máquina amigável, chamada de tripóide   vem a terra.

Essa máquina e uma série de amiguinhas da mesma raça iniciam o extermínio da raça humana (que obviamente não foi concluído, afinal o mocinho sempre consegue), enquanto isso o pai e os filhos seguem a ameaça alienígena até Boston para encontrar a mãe das crianças. No caminho eles se escondem, se separam, destroem dois tripóides, conhecem os extraterrestres e principalmente: a caçula faz questão de gritar incontáveis vezes durante o filme.
Essa é a caçula

Por final, todas as máquinas humanas falham na tentativa de resistência, mas milagrosamente, como que por um milagre, a própria terra mata esses seres, as bilhões e bilhões de bactérias existentes na terra levam os ET's a morrerem. A minha pergunta é: se esses seres estudaram a raça humana por milhares de anos, se eles tinham robôs enterrados na terra por tanto tempo, como eles não foram nem capazes de mandar um sonda (como aquelas que mandamos pra Marte) só pra analisar a existência de formas de vida bacterianas perigosas?

E por fim, é claro, temos uma ótima narração privilegiando o ego humano e transformando o filme em uma lição divina, todos sabem q o direito de viver na Terra é EXCLUSIVAMENTE HUMANO, não é? E que como a terra foi projetada exclusivamente pra os humanos, esse nunca morrem e sempre terão toda a proteção necessária conta todos os males? (menos contra si mesmo...)

O filme deixa claro que o homem é o lobo do homem, deixa claro a hipocrisia e mostra que não valemos realmente nada. Eu estava torcendo pelos extraterrestres, pelo menos eles eram unidos. Agora, vamos supor que isso realmente tivesse acontecido, qual seria a lição tirada pela raça humana? Não devemos invadir o espaço alheio? Devemos cuidar da natureza? Devemos ser mais unidos? É claro que não! A lição é que quando precisarmos de invadir outro planeta, de seres inferiores, daqui alguns anos, devemos antes verificar a existência de ameaças biológicas, e ao invés de atirar, investir em armas biológicas.

Mas é claro que tudo é lindo do final, o mundo todo está destruído, toda a economia está no chão, bilhões de pessoas foram mortas, mas a família encontrou a mãe em Boston. Na minha opinião, é um ótimo filme para se assistir, e um filme excelente para assistir com olhos de crítico. E tomem cuidado, os extraterrestres podem estar te observando!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

MUTARE - 9º TEXTO


                Os cinco estavam no porão da casa de Scire. Estavam distribuídos pelo cômodo, cada qual bem largado. Naquela tarde, assim como nas últimas, MP, Canere, Scire e Magnus bebiam uma garrafa de vodka barata e fumavam um cigarro enquanto Operiet comia um chocolate apenas. Os quatro que bebiam estavam já um pouco alterados, pois estavam já há algum tempo bebendo.
                Estavam no porão desde as duas da tarde, sem conversar nada de produtivo. Já passavam das sete. MP convocou a reunião no dia anterior e a marcou para aquele dia, pois queria falar com todos os geniosinhos, mas sua prioridade era naquele tempo apenas embebedar-se.
                A sala estava carregada de uma fumaça pesada que constrangia até mesmo os pulmões de Operiet, que não fumava. Ao fundo tocava um rock tranquilo, bem clássico. Destacava-se o som de The Doors,mas não era a única banda que tocava no pequeno aparelho de som.
                - Afinal de contas, o que estamos fazendo aqui? - perguntou Operiet, que ainda são, pode se lembrar do motivo de ali estarem.
                - Verdade. Me desculpem "senhores" - bêbado MP virava um piadista - vim aqui para lhes falar sobre uma conversa que tive dias atrás com uma garota.
                - Você poderia explanar melhor suas ideias? Quando você diz garota, você quer dizer um ser humano do sexo feminino ou é apenas mais uma metáfora? - o outro piadista era Canere, que não perdia a oportunidade de maximizar tudo aquilo que achava estranho em MP.
                - Um ser humano do sexo feminino...
                - E quando você conversou com uma garota? - perguntaram em coro.
                - Continuando. Eu estava no ponto de ônibus e encontrei com uma garota. Ela me abordou e perguntou algumas coisas sobre mim e principalmente sobre nós cinco.
                - O que ela sabia sobre nós? - Scire perguntou enquanto se levantava, com o cerebelo evidentemente abalado.
                - Nada de mais. Disse apenas que sabia sobre as nossas reuniões e que só não sabia o que planejávamos. Ela disse que nossa pequena cidade esconde alguns mistérios, mas acho que ela exagerou nesta parte.
                - Não importa o que você acha. Foi apenas isso que ela disse? Não consegui captar o sentido desta conversa.
                - Não foi só isso. Ela disse que teceria maiores comentários se eu aceitasse levá-la para comer alguma coisa um dia desses. E por isto estou conversando com vocês. Vim informar que decidi saber mais sobre o assunto e que irei me expor à esta intimidade, e também irei expor vocês.
                - É aquela garota que nós vimos na rua tempos atrás, MP? - perguntou Operiet, ignorando o fato observado por todos de que MP havia sido convidado para um lanche por uma garota.
                - Ela mesmo...
                Todos se calaram, embora ainda houvessem piadas escondidas nas cabeças dos garotos. Fora as piadas, não havia o que falar, pois MP não veio pedir permissão ou conselhos de seus amigos, veio apenas informar uma decisão que tomou. Restou a todos procurar saber o máximo sobre o assunto já que uma argumentação só poderia favorecer MP, o que melhor trabalhava com palavras. Mas eles não quiseram saber mais, confiavam em MP.
                Continuaram nas mesma inércia que estavam desde as duas horas. A partir das dez horas os garotos começaram a ir embora. Primeiro Operiet, depois Canere. Por último foram juntos MP e Magnus, pois ambos eram vizinhos. Decidiram todos fazer o percurso até as suas respectivas casas a pé. Scire retirou-se, trancou o porão e foi para sua casa.
                - Operiet me contou sobre a garota e sobre o acontecido na rua. A maneira como você a olhou, contou-me detalhadamente - disse Magnus, depois de uma pequena caminhada em silêncio, com cada qual imerso em seus próprios pensamentos, tanto ele quanto, principalmente, MP.
                - Porque não me disse isto antes? Que ele havia lha contado? Eu já estava esperando esta conversa, mas ela nunca acontecia - MP estava minimamente concentrado na conversa, o que era uma coisa boa em conversas com ele.
                - Você já sabia? Esquece... Enfim, o que sabe sobre esta garota?
                - Não muito, ela apenas veio conversar comigo, dizendo que sabia sobre mim. Eu não a conheço.
                - Ela lhe lembra a Tristitia, não é?
                - Parece uma versão melhorada dela. Sua casca toda simples esconde um interior de complexidade infindável...
                - Eu imaginei. E o que você sentiu quando ela veio conversar com você no ponto de ônibus?
                - Nada de mais. Tratei-a como trato qualquer pessoa.
                - Sei, com arrogância, sarcasmo e apatia. Mas eu sei que com ela foi diferente. O que você sentiu? E não minta, eu sei quando você mente.
                MP agora olhava para frente e encarava o vazio. Seus olhos estavam profundos e ele parecia estar vagando pelas partes mais ocultas de sua mente. Passou os braços para trás do corpo e segurou o punho esquerdo com a mão direita. Estava imerso em seus pensamentos e todos os movimentos que fazia eram de responsabilidade do subconsciente. Aos poucos começou a abrir a boca e tecer os primeiros comentários, sem pensar no que falava.
                - Não sei bem... Quando a vi senti uma coisa que há muito não sinto. Fiquei paralisado, sem reação. Eu só conseguia olhar para ela e admirar seu jeito de se comportar. Ela se locomovia de uma forma tão parecida com a Tristitia... E seu perfume, ah seu perfume. Não pensei nada naquele momento. E quando ela me procurou para conversar, neste último encontro, eu tentei, juro que tentei, tratá-la como trato qualquer outra pessoa, mas fracassei. Quanto mais ela falava, mais fascinado eu ficava. Não entendi até agora o que aconteceu e eu já perdi muitas horas pensando nisso...
                - Eu sabia. Felizmente você ainda guarda vestígios do hominídeo que você um dia foi MP. É bom saber que eu não te perdi ainda e que meu primo, aquele garotinho que cresceu comigo, ainda mora ai neste peito conturbado. Fico feliz por você.
                Ambos voltaram a caminhar em silêncio, e assim foi feito até a casa de cada um. MP manteve aquela expressão distante até chegar na porta de sua casa. Magnus por vezes o olhava, mas deixou-o sozinho com seus pensamentos. Toda vez que olhava para MP, Magnus sorria discretamente.
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Matheus Henrique

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

MUTARE - 6º TEXTO (REPOSTAGEM)


                - Você e o MP não fumam, não é Operiet?
                - Claro que não. Vocês que fumam têm os dentes amarelos e olheiras. Preciso do meu sorriso e dos meus olhos. Me garantem bons finais de semana...
                - Eu nunca disse que não fumava Canere.
                - Então você fuma?
                - Não fumava até hoje. Ascenda um cigarro para mim, por favor.
                Canere pegou o cigarro e o ascendeu, como pediu MP.  MP pegou-o e colocou na boca, ainda sem jeito. Deu logo uma longa tragada e tossiu toda a fumaça fora, mas prosseguiu até entender que a fumaça deveria atingir seus pulmões. Na primeira vez que o fez sua cabeça deu um spin  e ele se sentiu meio morto. O gosto amargo que desceu subiu já suave e atingiu sua boca enojando-o.
                - Porque vocês fumam isso? - perguntou, enfatizando seu sarcasmo com uma expressão engraçada que fez todos os quatro rirem.
                - Você também não deveria estar fumando MP. De todos, eu e você somos os mais novos e deveríamos ser mais responsáveis que esse bando de corpos sem alma.
                - Ainda não entendeu Operiet? Em se tratando de alma, o MP é o que menos sabe sobre o assunto. E olha que ele conversa sobre quase tudo, mas pergunte a ele o que ele sente, que não tenha relação com os pensamentos. Pergunte a ele o que acontece em seu interior quando a cabeça se desliga.
                - Boa pergunta MP. Todos nós já tivemos amores, já sofremos, mas continuamos saindo e dando a cara a tapa. Todos nos decepcionamos com diversas coisas da vida, mas nenhum de nós demonstrou apatia. Deixamos a todo momento claro o que sentimos e estamos aqui lutando por um ideal. Discutimos ideias e planejamos ataques. Você, o garoto que deu a ideia de nos organizarmos, na flor dos dezoito anos, faz alguns meses que só vem aqui para beber, agora fumar, e criticar tudo que falamos. O que têm passado por esta sua cabeça?
                Na sala, além de MP, estavam Magnus, Scire, Canere e Operiet. Com exceção do último, todos seguravam uma garrafa de vinho em uma das mãos e um cigarro na outra. Todos, no instante em que Operiet encerrou a pergunta, repousaram o cigarro no cinzeiro e colocaram a garrafa no chão. Parecia um gesto combinado. Olharam para MP, que no momento olhava para o chão, fixamente. Segundos se passaram em silêncio, até que ele se levantou, pegou sua garrafa de vinho e saiu, passando a passos curtos e lentos, por todos que ali se encontravam, sem dizer uma palavra. Todos o acompanharam com o olhar, sem reação; sem saber o que havia acontecido.
                - Deixe que eu o acompanho desta vez. Incrível alguém da idade dele que não pode andar sozinho pelas ruas... - disse Operiet, sentindo-se um pouco culpado pelo acontecido.
                Logo o alcançou. Ele ainda carregava a garrafa de vinho que levou da sala, mas bebia a grandes goles e sua face nem por pouco evidenciava pesar.
                - Nós não sabemos mais quem você é. Nem ao menos sabemos o que te deixou assim. Você não conversa mais, nem mesmo com Magnus... Seu primo, que foi seu grande amigo, hoje é um completo estranho para você. Todos nós somos.
                - Não é verdade. Vocês são importantes para mim - disse, mas sem alterar o olhar, que se fixava na rua, sem demonstrar que o que falava era sincero.
                - Por favor, me diga o que aconteceu.
                MP parou, de súbito, e ficou olhando fixamente o outro lado da rua, assustado. Lá passava uma garota que em muito se parecia com ele. Ela andava despreocupada, com a calça rasgada e uma blusa do Nirvana, mas mantinha a mágica feminina que inundava o ar. Embora seu estilo tenha chamado sua atenção, o que mais lhe fez perder o foco foi a maneira como ela se coportava. Estava com um fone de ouvido e saltitava. Por vezes atingia as folhas das árvores, por vezes olhava para os pés e andava em zigue-zague. Seu cabelo, negro, esvoaçava e, embora aquilo lhe parecesse impossível, ele podia sentir seu perfume dali. Cheirava a erva doce e lhe lembrava de sua infância, embebedando-o de lembranças. Ela tinha alguma coisa que ele não podia explicar, nem ao menos entender. Algo parecido com alegria.
                - Gostou daquela garota?
                - Não exatamente, ela só prendeu minha atenção.
                - Vá conversar com ela...
                - Não é necessário - disse, virando-se para a direção a qual percorria antes do ocorrido.
                - Quem diria, o senhor mestre da argumentação, que sempre que fala faz parar alguém, sempre que abre a boca conquista uma nova mente, sem jeito de falar com uma garota.
                - Quem diria então, o senhor da sedução, que sempre que sai conquista um novo corpo, que sempre que conversa com uma garota destrói uma vida, me ensinando a portar-me frente a tal situação.
                Uma pausa.
                - Sua sinceridade e seu sarcasmo... Coisas que nenhum de nós tivemos a felicidade de conhecer enquanto ainda éramos garotos e não nos importávamos com você. O que uma visão do futuro não pode mudar...
                Operiet virou-se e tomou o caminho contrário, visando o porão da casa de Scire. MP continuou em seu caminho, mas não parecia mais tão apático. Duas sensações lhe reviravam o pensamento, periodicamente. Por vezes pensava na garota e no que sentira ao vê-la e logo perdia o raciocínio e vagava sem rumo, depois as palavras de Operiet lhe tomavam a mente e novamente sua expressão voltava ao que era. Operiet era péssimo com as palavras, mas MP era um bom entendedor e conseguia ver o que ele sentia ao pronunciar cada uma delas. No geral ele podia ver isso em qualquer pessoa com quem conversava. Ele olhava além do que os olhos lhe apresentavam, sempre.
                MP decidiu voltar para casa, mesmo bêbado e assim o fez.
                Operiet chegou no porão e encontrou todos os outros bêbados também, jogados ao chão. Mas estavam conscientes suficiente para perceber que ele voltara sem MP.
                - Onde está o novo maluco?
                - Ficou pelo caminho. Ele disse coisas que me ofenderam, mas o deixei por outro motivo:  percebi que ele precisava pensar. Ultimamente ele tem precisado muito de tempos sozinho e nós não lhe concedemos isso. Estamos sugando toda produtividade dele e esquecendo de deixá-lo se recuperar.
                - Acha que ele pode fazer alguma besteira sozinho? - disse Magnus, que logo retomou a pose ao perceber que o primo não havia chegado.
                - De que tipo? - perguntou Scire.
                - Não sei. Acham que ele pode estar sofrendo de depressão.
                - Mas é claro que ele está. Todos nós estamos depressivos. Estamos em um porão imundo, bebendo vinho barato e fumando cigarros de grama. Por favor, sejam sinceros e me digam se algum de vocês está bem. Nenhum de nós está, mas todos temos motivos para acordar todos os dias. Não somos suicidas. Ele não se deixaria levar por este sentimento, assim como nós - Canere gaguejava, tomado pelo álcool, mas se fez parecer certo, com um tom de voz que transmitisse exatamente o que pensava.
                - Será que MP pensa dessa forma?
                Ninguém disse nada. Todos se olhavam, sem resposta. Depois de um tempo pararam de pensar na questão e cada qual começou a se perder em sua loucura alcoólica e foram, aos poucos, apagando-se no chão. Com exceção de Operiet que não conseguiu tirar da cabeça a imagem de MP observando aquela garota caminhar. Ele viu, naquele rosto gasto pelo álcool, o garoto que conhecera, ainda no primeiro ano do ensino médio. O sorriso que antes vinha com facilidade, quase se esboçou no rosto daquele novo punk. Sua calça rasgada e suja, sua camisa que a priori era branca, mas que já estava amarelada, e seu cabelo que não era penteado fazia dias deram lugar ao garoto que ia à escola todo engomado, parecendo um garotinho rico.
                Operiet rezou naquela noite  - para o acaso, já que este também era ateu -para que devolvesse ao MP a vida que ele mesmo jogou fora. Não sabia o que lhe havia acontecido e se sentia culpado por isso. Já havia perdido as esperanças de melhora, mas aquele olhar as reavivou. A faísca de felicidade brilhou no olhar de MP e Operiet se alegrava por isto, martirizando-se apenas por não saber o motivo.
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Matheus Henrique

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MUTARE - 8º TEXTO


                - Não sei se acredito...
                - Não tem porque acreditar. É uma coisa que vem de dentro. As pessoas que como eu acreditam não tem um motivo racional para o fazer. Simplesmente o fazem. Deus não é algo que eu possa lhe explicar. Mas admiro este seu questionamento.
                - Mas você me disse que a razão deveria estar acima de todas as coisas.
                - Eu disse também que nós não poderemos explicar todos os mistérios que nos fossem apresentados.
                - Mas só porque não conseguimos responder uma pergunta não quer dizer que ela não tenha uma resposta, ou que precisemos responder  qualquer coisa para preencher este vazio. O senhor está errado!
                Eventus olhava MP e estava um pouco admirado. O garotinho que a muito conhecera havia crescido e completava naquele dia quinze anos. Não era um homem ainda, mas estava no caminho.
                Durante todos estes anos os dois se reuniam de tempos em tempos e discutiam sobre assuntos que variavam  bastante. Falavam sobre política, filosofia, romances, futebol, alegrias e tristezas e falavam principalmente sobre a vida. O garotinho que não tinha quase nenhuma experiência de vida aos poucos foi agregando o conhecimento do sábio homem e construindo sua base de pensamento. Não eram filósofos, nenhum dos dois, eram loucos apenas, que viviam a vagar pelas ruas conversando conversas sem sentido, almejando algum dia mudar alguma coisa em suas vidas. A vida de MP não estava ainda destruída, mas Eventus lhe garantira que era só questão de tempo para que isto acontecesse. E o garoto tomou a responsabilidade pelo futuro escrito por seu mentor e já foi se recuperando de um perda que não sofrera.
                - Esta será nossa última reunião.
                - Mas... porque? Tem dado tão certo, minha cabeça tem funcionado tão bem. O que aconteceu?
                - Estou partindo em um última jornada. Preciso descobrir algumas coisas e tenho confiança de que agora você está bem amparado.
                - Mas, eu não sei de nada ainda, preciso do senhor. Que belo presente de aniversário... - disse com lágrimas nos olhos, olhando para seus pés.
                - Por isto também. Lhe dei a base teórica. Agora viva sua vida da forma que quiser, mas nunca se esqueça das coisas que lhe ensinei. Este é o melhor presente que alguém poderia lhe dar, acredite.
                - Tudo bem, eu confio no senhor. Sentirei saudades. O senhor preencheu em meu peito o vazio que a falta do meu pai criou durante minha infância.
                - Você preencheu este vazio, assim como você também o criou. Não culpe os outros pelas coisas boas ou ruins que acontecem em sua vida. Você é o único responsável por elas. Abraço meu nobre garotinho. Continue desta forma e irá longe - disse virando-se e tomando um beco que parecia não ter fim.
                Ambos estavam parados em uma encruzilhada daquela pequena cidade. MP viu seu mentor partir e não pensava em nada, apenas observava. Depois de um tempo virou-se e começou a caminhar de volta para casa, entristecido.
                Meses se passaram e MP viveu sua vida como um garoto normal. A partida de Eventus criou um vazio no peito de MP, uma solidão inexplicável. Ele não mais conversava sobre aqueles assuntos, pois todos que o cercavam eram de uma filosofia muito simplista e ele gostava apenas do complicado. Passou triste todo este tempo até que conheceu, na escola, uma garota.
                Seu nome era Tristitia. Tinha o cabelo da cor de ouro e os olhos castanhos. Mas não era um ouro comum, era um ouro que hipnotizava MP a cada vez que a via. E seus olhos eram poços de uma simplicidade que por tanto tempo ele odiou, mas que agora o trazia de volta a vida. Ela era simples, modesta e não era culta. Falava calmamente, quase cantando, e inundava os ouvidos de MP.
                Eles se conheceram em sala de aula e passaram por todos os processos sociais possíveis. Foram colegas de trabalhos e exercícios, logo se tornaram amigos e passavam muito tempo juntos. Em determinado momento MP percebeu que estava apaixonado e que aquela garota era o centro de seu universo. Esqueceu, por ela, a filosofia, e tudo que odiava no mundo. Seu mundo ganhou cores finalmente.
                Isto tudo não ocorreu em horas. Foram meses de vivência que aos poucos foram moldando seu coração, por hora quebrado, e preenchendo vazios que não paravam de surgir.
                Mas o conto de fadas durou pouco. MP, embora agora visse o mundo de outra forma, manteve seu temperamento explosivo e continuou a não pensar no que fazia ou falava. Em pouco tempo amando-a e sofrendo por isto, pela impossibilidade que ela por vezes criava, e por vezes desmanchava, ele enlouqueceu. Enlouqueceu em sua loucura normal, há tanto esquecida por ele, mas incompreendida por ela. Ele não mudou e este foi o caos no relacionamento. Ele não conseguia ser simples como ela, era excêntrico e toda sua excentricidade explodiu em pouco tempo. A filosofia falou mais alto em seu peito.
                Ela não podia lidar com seus ataques de loucura, suas ofensas sem motivo e depois seus pedidos de desculpa que poderiam fazer a morte chorar. Ele aos poucos foi tornando-se um cavalheiro da destruição. Por onde passava causava tristeza, mas tinha o poder de transformá-la em alegria e amor, apenas remediando o problema, sem de fato curá-lo. Cumpre ressaltar que um coração partido não se concerta com palavras. Por tudo isto ela se afastou, aos poucos, deixando-o sozinho com seus pensamentos. E nem mesmo eles o quiseram de volta. Seu mundo acabou, sua filosofia estava fraca, sem fundamento, sua inteligência estava vencida e seu coração estava partido. Não sobrou nada daquele MP feliz, que por pouco tempo existiu.
                Ele vagou pelo mundo, por mais alguns meses, como um zumbi. Concordava com tudo, fazia o que lhe era pedido, ia para onde todos iam e só procurava um tempo de descanso para chorar o passado perdido.
                Encontrou, em pouco tempo, apoio no álcool. Era mais um adolescente vencido pela mídia e entregue ao fracasso das drogas lícitas. O garoto superdotado, que nasceu em berço de feno, criado por pais simples e pobres, jogava naquele tempo todo um futuro fora. Não era mais um gênio, não era mais filósofo, nem era mais humano. Era um corpo, que vagava sozinho, rabiscando nas paredes da vida pedidos de socorro.
                Tudo que um dia Eventus lhe ensinou, naquele tempo, se resumia a nada. Ele se recuperou da perda antes que ela chegasse e quando ela chegou não havia nada que ele pudesse fazer. Nãou houve resistência ou recuperação. Só o que havia era um abismo escuro entre ele e seu futuro.

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Matheus Henrique

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

AQUELES QUINZE ANOS

E as convenções sociais continuam! Dessa vez quero relatar uma festa de 15 anos, se é que podemos chamar algo desse gabarito de festa, é preferível chamar de evento – tanto por ser mais chique, quanto pelo gasto avantajado de um evento como esse. Retirando das minhas frescas memórias, lembro-me de um desses dias.

Era um sábado, a festa estava marcada para começar lá pras nove, como diria minha mãe. Cheguei nove e meia, ainda eram poucos os presentes, mas com o tempo o número aumentou. Refrigerante, cerveja, salgados, bombons, bolo e um pouco mais; antes que vocês perguntem: não, eu não bebi, não, eu não me entupi de comer, não, eu não morri por lá. O ambiente era inóspito para um nerd, nada com que pudesse fazer ligações, exceto a belíssima mesa de som, o computador e os lasers... Só um canhão de laser já faria brotar lágrimas nos olhos de muitos, eram tão belos aqueles pixels. E eu estava lá, sentei-me em uma mesa atrativa, pouco tinha acabado de me alimentar e me vem um indivíduo, ou melhor, três amigas que me pedem para terminar de renderizar um vídeo, ou na palavra delas: passar pro media player. O que eu podia fazer contra esse pedido¿ Aceitar era o que me restava! Mas nunca é apenas isso, né¿ Ser o carinha da informática significa que você deve realizar todo tipo de serviço: conectar o DVD novo (comprado nas Casas Bahia) da sua tia querida, configurar o roteador da empresa do seu amigo sem ganhar nada, formatar o PC da sua prima, saber sobre desenvolvimento web pra fazer aquele site “simplesinho de dois minutos” que o miserável do dono da padaria vai te pedir, isso é claro sem que você receba o devido valor – tanto que se receber metade do seu preço já e muito, afinal “você só ficou o dia todo na frente desse computador ai”-, podem te pedir também para arrumar aquela fiação que queimou, para salvar o banco de dados que acidentalmente uma criança apagou, ou a mais famosa de todas: sempre, e isso é regra, vão te pedir pra colocar Windows sete em um k6.

Lá estava eu, sentado atrás do palco, sonhando com um mundo em que eu não seja tirado de uma festa pra fazer trabalho sujo! Mas me deram um tempo, eu me esforcei pra entregar trinta minutos depois – e olha que o computador era uma merda na renderização (espero que os leitores não se importem com os palavrões, eles são tão comuns no dia a dia que nem tenho por que censurá-los aqui, e querido estudante, não use palavrões no Enem, caso queira passar uma mensagem de amizade para o governo piche o congresso, brigue com o presidente ou pior: coloque a sua mente pra funcionar). Os convidados passavam, olhavam para o palco e me viam sentado, editando um vídeo, na frente de um notebook – isso zerava as minhas chances de pegar alguém, mas ora vias, já eram bem baixas (eu estou rindo de mim mesmo, sou um gênio ou um retardado¿ Difícil escolher, mas eu prefiro a genialidade).

Terminado o trabalho sujo, voltei para as mesas, a minha mesa, o meu copo e a minha vista já tinham sido ocupadas por outros seres humanos. Lamentável! Eram pouco mais de onze horas e a festa começa a dar matéria: ocorre o roubo de um celular. A pergunta é: se apenas haviam convidados da família, dos amigos e dos colegas lá dentro, quem foi o ladrão e traíra ao mesmo tempo em que cometeu o ato¿ Mas nem isso era o bastante, a garota que teve o celular furtado, na sua posição de reclamona e filhinha de papai (ou mamãe) fez questão de ligar para sua querida e amada mãe para reclamar o ocorrido. Essa nobre senhora, que como é de se deduzir é como a filha, ameaça chamar a polícia, a mãe da debutante faz de tudo para impedir, convenhamos: o que vale mais; um celular ou a festa de quinze anos (que só ocorre uma vez na vida) de uma garota¿ Acertou quem disse a festa, mas nem todas as pessoas entendem isso. Por fim, os tiras não chegaram à festa.

Mas nada pode deter o azar, ele é sistemático. A debutante dividia suas lágrimas com o quase fiasco da festa e com as belas homenagens das suas amigas. Então, como que por alegria da mãe citada anteriormente, o namorado da garota entra em um briga, o motivo era um simples mal entendido entre amigos – que hoje nem devem ser mais amigos. Vários homens juntam em um só, o pau come solto fora da festa – a briga passou do salão, pro banheiro, pra escadaria e depois pra rua – enquanto outros “paus” endurecem dentro do salão. Estou duvidando da índole dos convidados agora, e com razão.

Quando eram duas horas, os barracos já tinham acabado e outros celulares tinham evaporado, mas idem. Enquanto tudo isso rolava, meus colegas e amigos tentavam tirar o nerd que habita a minha alma e me deixar doidão, é... eu não lembro bem se conseguiram. Sei que não bebi, sei que me colocaram na pista de dança, mas eu não dancei – embora a motivação que foi dada pelas bundas a mil ao meu redor, pensei que se não dançasse elas continuariam lá por mais tempo. Era tamanho o amor, ou tamanho o ódio que não hesitaram em me pegar nos braços, me jogar para o alto e gritar meu nome. Exagerando um pouco: não sabia que eu tinha me tornado o novo astro do rock.

No final na festa, eram mais de três horas, eu estava perto do frízer de bebidas, abrindo algumas para os convidados, mas sem beber nada – como já havia dito. Após assaltar os doces, eu já estava alterando, não pelo uso de nada, mas pela minha loucura própria. E fiquei assim até o almoço do dia. Eram quatro horas e acaba a festa, eu fui embora, não consegui dormir, nunca consigo dormir se deitar de madrugada.

Se isso me assustou¿ É claro que não, a sociedade nunca me assunta, se homens formados e ditos sábios tacam bombas uns nos outros, por que meros menores de idade não podem roubar e brigar¿ Quanto às bebidas eu nunca vi ninguém impedir que menores tenham acesso a elas. Mas por fim, mais uma experiência interessante pra minha lista, talvez eu vá à próxima para que for convidado.

sábado, 18 de agosto de 2012

MUTARE - 7º TEXTO

                Algo tocou-lhe nos ombros. Era um toque tão sutil que por um momento ele nem pensou em se virar, queria apenas sentir a mão em seu corpo. O perfume inundara novamente seus sentidos e antes mesmo de se virar já temia o que havia de ver. Mas, como um bom revolucionário, virou-se, confiante do que estava fazendo e viu aquela garota novamente. Estava obscurecendo o sol que lhe tocava o rosto, ali naquele ponto de ônibus, e sua imagem contra a luz haveria de ficar eternamente em sua mente. Seu cabelo, negro, esvoaçava com o vento, espalhando seu perfume pelo ar, seu rosto claro e sua pele macia brilhavam, mesmo na sombra, e iluminavam o rosto de MP. Seus traços faciais eram finos e ela parecia uma princesa do rock. Usava, naquele dia, uma camiseta do John Lennon com a frase You may say  I'm a dramer, but I'm not the only one, e outra calça rasgada - esta um pouco mais rasgada que a outra com a qual ele a vira.
                - Meu nome é Nuntius, prazer em vê-lo. Eu te conheço.
                - Não, você deve estar enganada. Nunca a vi antes - disse, voltando a olhar para a rua, passando uma total apatia com relação a situação, mas sentido por dentro uma loucura a qual nem sabia explicar, mas que pretendia ignorar.
                - Não foi uma pergunta. E você já me viu antes, outro dia na rua, ficou olhando para mim como um bobo. Você é MP, já ouvi falar muito de você aqui na cidade.
                Neste momento ele se assustou. Foi tomado por dois pensamentos, os quais ele associava com diferentes sensações: Seu ego falou primeiro e ele pensava que não era loucura o que estava sentido, que para isto deveria existir uma explicação, já que a garota o conhecia, mesmo que ele não se recordasse; em seguida sentia-se orgulhoso por ser conhecido na cidade, mas também por terem feito com que sua fama chegasse na garota que agora tanto o intrigava.
                - Porque tem ouvido meu nome?
                - As pessoas falam muito de você e de seus amigos. Dizem que são geniosinhos perturbados que vivem perambulando por aí fazendo besteira, mas tenho duvidas sobre esta parte. Ma ouvi em especial sobre você. Existem até mesmo lendas sobre a sua pessoa. Dizem que era uma criança feliz e que era considerado superdotado por todos, mas começou a murchar a medida que o tempo foi passando. Inventam histórias sobre o motivo disto, e cada uma é mais louca que a outra. Mas em uma coisa todas as histórias batem: nunca conheceram homem mais inteligente que você. E isto me intriga.
                A resposta o chateou. Imaginou que já havia mesmo conhecido aquela garota, e não que ela viesse falar com ele sobre opiniões sociais, as quais ele achava totalmente inúteis. Naquele momento, um pouco do que sentia foi embora, e começou a encarar a possibilidade de estar conversando com mais uma das garotas chatinhas que conhecia.
                - As pessoas falam de mais. Quando ouvir falar sobre um gênio, logo desconsidere. Pessoas comuns não compreendem a genialidade. Não podem apontar quem são os gênios e quem são os comuns. Mas enfim, o que está fazendo aqui?
                - Eu queria comprovar uma teoria.
                - Qual a sua teoria?
                - De que você é realmente um gênio mesquinho e egocêntrico, que considera todas as pessoas que se relacionam com você como estúpidas. Mas que vive ansiando pelo momento em que vai encontrar alguém que bote em cheque toda sua inteligência. É um misantropo antissocial que só precisa de carinho e atenção. Uma criança mimada...
                MP parou naquele instante e deu, pela primeira vez naquela tarde, verdadeira atenção à garota. Sabia que todas as provocações visavam apenas tirar-lhe do sério, talvez para provar alguma outra teoria louca, ou somente para chamar a atenção, mas no fundo das palavras ásperas ele encontrou algo. Viu uma espécie de identificação, a qual não podia entender. Parecia que aquela garota, assim como ele, conseguia ouvir além das palavras que as pessoas diziam e ver além do que se lhe apresentava. O sentimento voltou, mais forte, descaracterizando a imagem que vinha se formando. Ele agora a via como uma desconhecida a ser explorada. E talvez este tenha sido o maior erro que ele cometeu até a presente data.
                - Quem é você - perguntou MP, agora assustado.
                - Sou uma garota que sabe quem você é e o que faz e que tem algo para lhe oferecer, em troca de uma coisa muito simples.
                - Por favor, prossiga.
                - Ouvi dizer que no porão da nossa biblioteca municipal existem livros que dizem um pouco mais sobre a cidade e seus mistérios. Livros que foram escritos e escondidos pelos grandes intelectuais das redondezas, a fim de manter algumas verdades encobertas. Talvez alguns lhe interessem, e com certeza alguns interessam à mim.
                - E como faço para consegui-los?
                - Isto é um papo para outra oportunidade. Pode ser no lanche que você me pagará, futuramente, para recompensar as informações que estou lhe passando.
                - Não tenho o costume de me prostituir por palavras cruzadas de uma biblioteca velha.
                - Quero apenas um lanche. MP, você é uma anomalia da natureza. Anomalias me interessam. Não quero transformá-lo em meu boneco pessoal.
                - Podemos ver isto.
                - E outra coisa. Quero também participar das suas reuniões de porão.
                - Como sabe sobre elas?
                - É mais fácil encontrá-lo naquele lugar do que em sua casa. Qualquer bom observador já teria notado que você se reúne ali com seus amigos. Eu só não sei, ainda, o porque - enfatizou o "ainda", certa da vitória que viria.
                - E estes livros, acha que podem ser usados para uma mudança, ou qualquer coisa assim?
                - Eu não faço ideia do que eles contém, mas sei que são o grande segredo da cidade.
                - Afinal de contas, como você sabe deles?
                - Mais um papo para o nosso lanche. Espero notícias suas, estou sempre por aqui.
                Ela virou-se e foi embora, deixando para trás o olhar atento de MP. Plugou os fones em seus ouvidos pequenos e novamente começou a saltitar, agora cantando "I'm a TNT, i'm a dynamite". MP sorriu um sorriso que a muito tempo não se via em seu rosto. Se Operiet pudesse ver aquela expressão enlouqueceria, fascinado pelo que a garota estava fazendo com MP, sem que ele a conhecesse.
                Em seus pensamentos MP analisava toda a conversa. Ia e voltava varias vezes, dando pequenas risadas ao lembrar de coisas que a garota falou. Em determinado momento foi interrompido por um ônibus que parou e abriu as portas, esperando sua reação para saber se deveria seguir ou esperar. Ele se levantou e adentrou nele, que partiu em seguida. O ponto de ônibus se encontrava à algumas quadras da casa de Scire, onde MP estava há algum tempo. Agora tinha como destino sua casa, onde se prenderia por mais algumas horas no que havia acontecido naquela tarde.
6º TEXTO<<<<<<-x->>>>>>8º TEXTO
Matheus Henrique