sábado, 8 de setembro de 2012

ALMA SERTANEJA

Gosto de escrever crônicas, tanto que é por isso que tenho esse blog - por que não basta escrever se ninguém ler. Ontem fui ao aniversário de 75 anos de um avô meu, até agora não me livrei do sentimento de nostalgia, de culpa, de inferioridade ou de sei lá o que - sim, estou admitindo não saber algo. A coisa que mais me atraiu por lá foi um show de moda de viola, sem contar uma figura que eu conheci - que não vem ao caso.

Aquelas músicas, o som maravilhoso da sanfona, o som arcaico do violão, a inocência das letras, em contraponto ao sentimento, ao realismo, a vida, a verdade... Uma verdadeira aula de história, aprender um pouco mais sobre a vida do trabalhador rural e sobre os desafios e problemas enfrentados por esses homens que construíram a pátria com o preço do seu suor e algumas vezes - do seu sangue. É notável o apelo e o apego a figura divina, pela primeira vez eu senti e compreendi a utilidade de deus no mundo, talvez isso tenha sido uma humanização dos meus conhecimentos e deduções. A ideia de que uma pessoa é capaz de apenas com uma família (como se essa instituição fosse um mero "apenas"...), com amor entre homem e mulher, acordar de madrugada e ir trabalhar no roça, rezar e sentir força para mais um dia são capazes de ser felizes, sem nenhuma necessidade de ostentar poder, de se sentir superior - pelo contrário: chamando os outros de doutor com a inocência daquele sem o conhecimento científico.

Ouvir uma moda de viola, para um intelectual roqueiro talvez seja o fim, mas pra mim foi um marco, são poucas as coisas que conseguem me despertar sentimento, e são contáveis nos dedos aquelas que me fazem sentir inferior. E esse momento foi um deles! E complementando: agora eu sei por que Raul dizia que Elvis e Luiz Gonzaga eram dois lados da mesma moeda, a crítica e a inteligencia do rock não tem sentido sem o sentimento e a inocência do baião e o baião não tem expressão sem a força do rock. Sei que não fui capaz de transmitir o que queria nesse texto, mas para aqueles que tem a mente aberta gostaria de recomendar algumas músicas:

Filho Adotivo:


Disco Voador:



Oração pela Família:


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