Aquelas músicas, o som maravilhoso da sanfona, o som arcaico do violão, a inocência das letras, em contraponto ao sentimento, ao realismo, a vida, a verdade... Uma verdadeira aula de história, aprender um pouco mais sobre a vida do trabalhador rural e sobre os desafios e problemas enfrentados por esses homens que construíram a pátria com o preço do seu suor e algumas vezes - do seu sangue. É notável o apelo e o apego a figura divina, pela primeira vez eu senti e compreendi a utilidade de deus no mundo, talvez isso tenha sido uma humanização dos meus conhecimentos e deduções. A ideia de que uma pessoa é capaz de apenas com uma família (como se essa instituição fosse um mero "apenas"...), com amor entre homem e mulher, acordar de madrugada e ir trabalhar no roça, rezar e sentir força para mais um dia são capazes de ser felizes, sem nenhuma necessidade de ostentar poder, de se sentir superior - pelo contrário: chamando os outros de doutor com a inocência daquele sem o conhecimento científico.
Ouvir uma moda de viola, para um intelectual roqueiro talvez seja o fim, mas pra mim foi um marco, são poucas as coisas que conseguem me despertar sentimento, e são contáveis nos dedos aquelas que me fazem sentir inferior. E esse momento foi um deles! E complementando: agora eu sei por que Raul dizia que Elvis e Luiz Gonzaga eram dois lados da mesma moeda, a crítica e a inteligencia do rock não tem sentido sem o sentimento e a inocência do baião e o baião não tem expressão sem a força do rock. Sei que não fui capaz de transmitir o que queria nesse texto, mas para aqueles que tem a mente aberta gostaria de recomendar algumas músicas:
Filho Adotivo:
Disco Voador:
Oração pela Família:
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