sexta-feira, 30 de novembro de 2012

FAÇA!


Pague a conta do analista,
No carro, mais uma revista,
Peça para o psiquiatra te internar,
Pela simples anormalidade de amar.

Aceite as verdades que todos aceitam,
Tenha fé, coma pipoca, seja também um amigo idiota.
Dê conselhos desmedidos,
Verdades subjetivas e ilusórias para todos.

Abandone-se,
Encare a possibilidade de que não escolher
Não é uma escolha, muito menos o sensato a fazer.
Releve-se.

Seja bom com deus,
Você não tem certeza se é realmente como você pensa ser,
Desapegue e deixe morrer.
Pois o morto sempre foi e sempre será o morto.

Leia rimas mal feitas de um poeta torto,
Ordene o caos pela sua vontade,
Note que de toda ordem, errada é aquela
Que um dia leva a julgá-la errada.

Você não é imprescindível no mundo,
Pode morrer amanhã e em cem anos nunca mais será lembrado,
Não importa se teve um brilhante doutorado,
Ou foi mais um simples aloprado.

Pague a conta do analista,
Talvez ele não vá querer mais te assistir,
Talvez até ele já vai desistir,
Sem ao menos realmente sentir.

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