Estava
escuro, mas não um escuro como dos outros dias. Estava mais escuro naquele dia.
Não tinha lua, não tinha estrela, o céu estava todo coberto por nuvens. Por
estes motivos seria o dia perfeito para aprontar alguma coisa, ou não.
Saiu de
casa o garoto, casaco negro, capuz cobrindo sua cabeça. Usava também um gorro,
sendo que sua pala escurecia ainda mais seu rosto. Suas feições eram fortes,
embora estivessem escondidas. Sua postura era de um adolescente na flor da
idade: Imortal. Seu porte era magro, mas alto; não se destacavam os músculos,
mas suas longas pernas anunciavam um bom corredor.
O caminho foi curto, a passos largos - seu pensamentos saiam de sua cabeça quase como fumaça, atingindo então o céu. Caminhou
algumas centenas de metros até encontrar alguns amigos. Eles todos se vestiam de forma parecida, na intenção de mascarar
as feições mais fortes do rosto. O garoto porém se destacava, principalmente
pela sua altura, mas bons observadores percebiam que ele estava mais concentrado,
parecia inspirar os outros garotos. Um bom observador não teria
dúvidas em apontá-lo como líder do grupo. Mas ele não o era.
Caminharam
todos e pararam de frente para um muro em uma das avenidas mais movimentadas da
cidade. Todos sacaram, dos bolsos ou das mochilas, um lata de tinta spray e
tomaram posição que evidenciava o golpe que se seguia. Iniciaram a pintura, sem
temor. As primeiras palavras que trocaram no decorrer da noite foi pronunciada
naquele momento:
- O que
você achou, MP? - Disse o mais baixo dos garotos para aquele que parecia ser o
líder.
MP
olhou para a parede, não com feições de avaliação, mas sim de admiração. Viu o
grande "CHEGAMOS" desenhado na mesma, em letras que iluminavam a
cidade. Em contraste com a parede branca, os desenhos pretos chamavam muito a
atenção dos carros que passavam. Estava ali a marca de uma nova movimentação na
pequena cidade do interior de São Paulo. Algo novo foi anunciado pelas mãos
daqueles cinco garotos. Ele então disse:
Nenhum comentário:
Postar um comentário