- O que
pensa em fazer hoje?
- Quero
dar uma volta na cidade - disse MP, com a voz baixa e o rosto ainda estranho.
- Vou
me vestir e vou com você. - disse, já se virando e se dirigindo à sua casa.
Enquanto
percorria as escadas alguns pensamentos lhe vieram na cabeça, muito fortes. Ele
não era muito culto e não tinha o costume de pensar em coisas abstratas, mas,
provavelmente por influência de MP, naquele momento foi tomado por uma questão
interessante. Estava a se indagar sobre o existir e tratava o assunto com muita
maturidade, embora evidenciasse sua argumentação ainda falha.
Pensava ele: " Todos nós
nascemos e todos nós morremos. Neste meio tempo, independente do que fizermos,
não mudaremos as condições iniciais e finais. Pensando assim, não vejo o porque
de viver.Adquirir felicidade e experiências para que isto se perca na
eternidade. Em contrapartida eu acredito em Deus e tendo isto em vista minha
vida é regrada pela possibilidade da existência de uma vida posterior. É por
isto que acordo, é por isto que passo o dia todo com ânimo, e é com isto na
cabeça que me deito na cama. Mas o MP não acredita em Deus e ele executa todas
as ações com tanto ânimo que só um Deus como o meu poderia animá-lo. Então de
onde ele tira forças? Poderá a existência não se submeter a um Deus? Não, acho
que isto não é possível..." Neste momento MP entra em sua casa - sem bater
na porta - e o liberta deste transe.
Os dois
saíram depois de trocarem alguns comentários e caminharam em direção ao centro
da cidade. Conversavam alto e pareciam duas crianças, rindo um do outro por
nada. Onde passavam as pessoas os olhavam, com aquele olhar de repreensão.
Caminharam
algumas ruas no centro da cidade, rodearam um dos pontos de movimento, mas por
ainda ser dia o movimento estava fraco. Eram onze horas da manhã. Estavam
gargalhando quando avistaram a frente dois garotos. Os risos pararam neste
momento e eles se entreolharam. Os garotos também fizeram o mesmo. MP estava
com uma expressão que assustou um pouco Magnus, que logo passou a encarar os
garotos.
Quando Magnus
se situou viu que MP saiu correndo em direção ao maior dos dois garotos e com
um soco forte atingiu-o no rosto e o derrubou no chão. O outro garoto revidou
com um chute que apenas afastou MP. Neste momento Magnus correu em direção ao
outro garoto e trocou socos com ele, por fim derrubou-o no chão também. Ao
fazê-lo deu atenção para MP e viu que este estava sobre o garoto desferindo golpes
fortes contra seu rosto inexpressivo. Foi uma cena forte, naquela manhã de
sábado, com o sol no rosto do garoto no chão, ensanguentado, fazendo brilhar
aquele vermelho vivo do terror. Neste momento o carro de polícia chegou e ambos
tentaram fugir, mas foram pegos e levados para o Distrito de Polícia.
MP estava
assustado, mas Magnus estava ciente do que acontecerá. Já sabia que o monstro
que habitava MP despertaria cedo ou tarde, embora não soubesse quase nada sobre
aquele monstro. Sabia apenas que MP estava ciente de sua existência. E naquele
dia ambos viram o rosto daquele monstro pela primeira vez.
Matheus Henrique.
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