sexta-feira, 27 de julho de 2012

MUTARE - 2º TEXTO

                Magnus desceu as escadas, de sua casa e em seguida as da casa de MP - eram vizinhos. Gritou-o sob a janela do quarto, acordando-o.
                - O que pensa em fazer hoje?
                - Quero dar uma volta na cidade - disse MP, com a voz baixa e o rosto ainda estranho.
                - Vou me vestir e vou com você. - disse, já se virando e se dirigindo à sua casa.
                Enquanto percorria as escadas alguns pensamentos lhe vieram na cabeça, muito fortes. Ele não era muito culto e não tinha o costume de pensar em coisas abstratas, mas, provavelmente por influência de MP, naquele momento foi tomado por uma questão interessante. Estava a se indagar sobre o existir e tratava o assunto com muita maturidade, embora evidenciasse sua argumentação ainda falha.
                Pensava ele: " Todos nós nascemos e todos nós morremos. Neste meio tempo, independente do que fizermos, não mudaremos as condições iniciais e finais. Pensando assim, não vejo o porque de viver.Adquirir felicidade e experiências para que isto se perca na eternidade. Em contrapartida eu acredito em Deus e tendo isto em vista minha vida é regrada pela possibilidade da existência de uma vida posterior. É por isto que acordo, é por isto que passo o dia todo com ânimo, e é com isto na cabeça que me deito na cama. Mas o MP não acredita em Deus e ele executa todas as ações com tanto ânimo que só um Deus como o meu poderia animá-lo. Então de onde ele tira forças? Poderá a existência não se submeter a um Deus? Não, acho que isto não é possível..." Neste momento MP entra em sua casa - sem bater na porta - e o liberta deste transe.
                Os dois saíram depois de trocarem alguns comentários e caminharam em direção ao centro da cidade. Conversavam alto e pareciam duas crianças, rindo um do outro por nada. Onde passavam as pessoas os olhavam, com aquele olhar de repreensão.
                Caminharam algumas ruas no centro da cidade, rodearam um dos pontos de movimento, mas por ainda ser dia o movimento estava fraco. Eram onze horas da manhã. Estavam gargalhando quando avistaram a frente dois garotos. Os risos pararam neste momento e eles se entreolharam. Os garotos também fizeram o mesmo. MP estava com uma expressão que assustou um pouco Magnus, que logo passou a encarar os garotos.
                Quando Magnus se situou viu que MP saiu correndo em direção ao maior dos dois garotos e com um soco forte atingiu-o no rosto e o derrubou no chão. O outro garoto revidou com um chute que apenas afastou MP. Neste momento Magnus correu em direção ao outro garoto e trocou socos com ele, por fim derrubou-o no chão também. Ao fazê-lo deu atenção para MP e viu que este estava sobre o garoto desferindo golpes fortes contra seu rosto inexpressivo. Foi uma cena forte, naquela manhã de sábado, com o sol no rosto do garoto no chão, ensanguentado, fazendo brilhar aquele vermelho vivo do terror. Neste momento o carro de polícia chegou e ambos tentaram fugir, mas foram pegos e levados para o Distrito de Polícia.
                MP estava assustado, mas Magnus estava ciente do que acontecerá. Já sabia que o monstro que habitava MP despertaria cedo ou tarde, embora não soubesse quase nada sobre aquele monstro. Sabia apenas que MP estava ciente de sua existência. E naquele dia ambos viram o rosto daquele monstro pela primeira vez.
1º TEXTO<<<<<-x->>>>>3º TEXTO
Matheus Henrique.

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