Dizem que a vagabundagem mental é boa para o processo criativo, vou concluir com isso que eu devo estar na fase mais criativa da minha vida. Ficar deitado em cima de uma rocha, ao lado de alguns liquens, vendo o horizonte infinito no além das montanhas e as pequenas casas ao redor da cidade, sentindo o vento te tocar e o Sol brilhar agradavelmente. Agora ficar lá por uma hora já pode ser sinal de loucura, mas enganam-se os que pensam assim, é o maior sinal que eu já dei de sabedoria. Desconsiderar que você é o único deitado naquele lugar enquanto alguns turistas passam e tiram suas fotos, sentir uma liberdade que não se tem, mas que se cria pela força do momento, sentir que você não vale mais do que o pássaro que trilha seu caminho no ar a alguns quilômetros de você.
Levantar-se depois de um tempo, após longas discussões que não podiam mais se adiadas com si mesmo, após pensar sobre quem se é, sobre quem é deus, sobre o quê se quer da vida. Compreender e aceitar por um momento toda a dureza da verdade. Reafirmar os votos que se fez a si mesmo, os votos de luta, os votos de amor, os votos de afeto, os votos de força e os votos de sensatez – é claro: provenientes da loucura. Sair de lá com uma liberdade e uma tranqüilidade que se deseja em todos os segundos, ver os casais, os amigos, as famílias e outros solitários pensadores. E fazer a pergunta referente ao jogo, o desempate necessário entre eu e esse lugar, afinal, quem está jogando com quem¿
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