sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O MISTÉRIO DOS HOMENS VISTCK - PARTE 1

Dizem que todos nascem com um propósito na vida, se estão ou não certos, esse julgamento não é meu, mas que alguns homens parecem donos da história, isso julgo como verdade... Eram sete horas da manhã, estavam no mar Jonas, Hélio, King Oliver, Tales, alguns outros marujos, uma mulher com uma criança de colo, dois homem aparentemente drogados e os filhos do capitão Moke: Brunna e Dick.

O barco de médio porte, feito em 1932 – recentemente motorizado, era chamado de Jullie IV devido a uma tradição familiar. Embora já devesse ter amanhecido no Atlântico as nuvens continuavam pairar pelo céu, viam estrelas, a Lua e recorda-se Dick o Cruzeiro do Sul podia ser avistado do alto do mastro do navio, estava limpo no céu, apenas ele entre as muitas constelações do nosso céu. Passaram-se horas e o dia não amanheceu, preocupada com as crianças no barco, a mulher – uma loira, de médio porte, muito educada, hipersensível e metida a intelectual – começou a contar uma história para acalmar e ocupar as crianças enquanto os homens e os drogados procuravam a rota para o porto mais próximo e uns vestígios de maconha que tinham escondido no barco, não respectivamente.

Um forte trovão assopra pelos ares, ao ver o reboliço das crianças a mulher se apressa na sua história, e começa com uma voz firme, mas incrivelmente meiga:

“A história que contarei não pode ser vivida nesse mundo, nem nos mundos conhecidos, pois a verdade na história está na ausência de fatos subjetivos e na existência de apenas verdades absolutas, as sociedades que ali viveram não tinham dúvidas filosóficas, não tinha religiões, não tinham mais curiosidade, não tinham muitas expectativas, mas eles aceitaram esse preço no dia em que trocaram suas liberdades de alma pela resposta de todas as perguntas.

Dizia a lenda que esses homens nem sempre foram assim, houve um tempo em que eles perguntavam, pensavam e respondiam as suas dúvidas. O planeta inteiro compreendia apenas um universo, ou seja, o planeta era o todo, fora o planeta não havia espaço, não havia vácuo, não haviam forças, não havia nada além do pequeno sistema eterno daquele planeta. A vida tinha se desenvolvido de forma assustadora, as formas de vida não eram baseadas apenas em uma estrutura ou alguns elementos base, haviam seres a base de Carbono, de Sódio, de Ferro, de Urânio e de todos os elementos disponíveis no universo, mas curiosamente nenhuma forma de vida apresentava perigo químico a outra, todos tinha desenvolvido métodos de proteção aos outros. Viviam em paz, mas quando ocorriam guerras era impossível destruir toda a vida do planeta. A perfeição daquele mundo era tamanha que os corpos eram capazes de transformar matéria em energia e energia em matéria a todo momento, podiam viver eternamente naquele mundo. A cada vez que uma raça atingia o nível intelectual máximo normalmente acabava sucumbido na sua própria inteligência, se matavam por perguntas como: por que existe a vida, como surgiu o universo (ou planeta, se preferirem), sobre a existência de outros mundos além daquele invólucro intransponível sobre o planeta e até se perguntavam o motivo das perguntas terem fim.

No planeta, aproximadamente do raio de Saturno, uma forma de vida a base de Magnésio se desenvolveu até a intelectualidade, mas notaram uma coisa nova, que nenhuma outra havia notado, o fato é que dentro do universo havia no invólucro uma passagem inexplorada por todos os infinitos anos da existência desse planeta...”

Já eram treze horas e a tempestade já começava a ameaçar derrubar o barco, as crianças estavam tremendo pelo frio e pelo medo, mas continuavam na expectativa da história da mulher. Um dos drogados parou para ouvir a mulher, tinha encontrado o que procurava, era o caminho até o porto, mas ele gostou da história e resolveu esperar, viajar no conto e depois contar para os outros o caminho.

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