domingo, 5 de agosto de 2012

O MISTÉRIO DOS HOMENS VISTCK - PARTE 3


Ela continuou sua história:
“Após anotarem as respostas de todas as perguntas e a solução de todos os problemas, descobriram que simplesmente alguns problemas não tinham solução: a morte não era reversível, o ciclo da vida não podia se freado, deus estava dentro de cada um deles e não nas religiões ou nos livros e a grande razão da vida, a grande resposta para tudo era apenas perguntar. Eles descobriram do modo mais frio, mais duro e mais triste que tinham trocado a razão das suas vidas pela resposta e agora não podiam mais e não tinham mais por que viver já que as perguntas tinham todas as respostas que eram precisas.
O fato de terem aceitado as suas limitações biológicas ou computacionais se formos considerar a verdade por trás deles fez com que eles não se perguntassem mais nem sobre como era a raça que os criou, como era esse outro universo, como era a vida realmente, eles que sempre se acharam um milagre divino ou o mais perfeito fruto do caos agora estavam resumidos a uma simples experiência de um povo que não tinha respostas.
A vida se tornou banal, o maior sonho do mundo passou a ser: nascer, crescer, trabalhar inutilmente, se reproduzir e morrer. Não havia mais frase célebre e frases de motivação. As religiões ruíram todas. O único crime cometido era o suicídio que de tão repetitivo se tornou apenas um direito em Vistck. Quando todos se tocaram disso, da falta de perspectiva, deram um a um cabo as suas vidas.”
A mulher terminou seu discurso, a criança continuava dormindo, o dia não tinha amanhecido e como tudo parecia perdido todos do barco já tinham desistido, se entregado ao mar e se reuniram no salão onde estava a mulher. Jonas, um homem de mais ou menos trinta anos, formado em medicina, que estava indo para uma faculdade continuar suas especializações do outro lado do Atlântico, se pronunciou:
- Bela história senhorita, mas eu também gostaria de contar uma.
Tomou um gole de uísque. Olhou pela janela da cabine, o dia continuava escuro, todos já tinham aceitado a morte e desistido dos seus sonhos e das suas famílias. Havia certa movimentação de homens ao redor da mulher, ela era bonita, de corpo curvado, e agora estava sendo assediada por um dos drogados a bordo. “Nem na hora da morte os homens se esquecem do sexo. Isso sim é incrível.” – pensava ela desiludida.

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