Pois é, esse ser humano foi dotado por evolução ou por
divindades de sentimentos, algo de complexidade tão infinita quando o tempo que
se leva pra ser atendido em um restaurante pelo garçom de camisa de gola verde
que trabalha meio período e no outro é lutador de sumo na Sibéria – note que em
muitos casos, ele é incompreensível. Alguns sentimentos são claramente
explicáveis como o medo ou a raiva, o medo é um mecanismo de defesa do ser
humano, sem medo seríamos incoerentes e agiríamos como quem ignora todo e
qualquer perigo ao se enfiar em uma luta televisionada de ursos panda. A raiva
é o complemento do medo, ela guarda na sua memória todas as coisas que você
considerou e considera no mínimo espantosas, nojentas, em fim, tudo ou todos
que você não teve boas experiências.
Alguns diriam que o mais importante deles é o amor, mas, o
que é o amor¿ Durante séculos atrás, em um planeta da galáxia de Andrômeda, uma
espécie incrivelmente cética – e de aparência semelhante a das formigas – deu
uma resposta pra essa pergunta ao formular o seguinte paradoxo: quando nossos
alunos fazem provas, sempre resolvem as questões por anulação, isso significa
que algo é tudo aquilo que temos certeza que algo não é. Sendo que já temos
identificados todos os sentimentos, exceto o amor, e o amor consegue ser todos
os outros ao mesmo tempo, ele na realidade não é nada. Por uma incrível
coincidência eles foram exterminados ao se chocarem com outro planeta que tinha
a forma de um tênis (aparentemente de tamanho 4,2 x 10²³¹). Outra raça dessa
mesma galáxia disse algo muito diferente, eles concluíram que o amor é tudo e
que na verdade não existe nada além dele, triste coincidência, mas após 100
anos acxônias (um ano acxônial tem aproximadamente 1,6 x 10²² dias terrestres)
que essa teoria já tinha se estabelecido e toda a sociedade se baseava nela, e
considerava ela a única possibilidade, uma criança fez birra com seus pais e
fora concluído que toda a civilização estava errada e que por amor ao certo
eles deviam se matar, construíram um vírus fatal e espalharam ele pela
população.
Mas na verdade os filósofos atuais que estudam uma derivada
substancial da Teoria de Tetris (que diz que ao explicarmos a origem explicamos
todo o processo de meio e fim) descobriram que na verdade o universo não existe,
reforçando a idéia de que o amor não existe ou de que nós próprios não
existimos e assim que a própria teoria não existe. Eles também se mataram.
Julgo eu que a teoria mais interessante e completa sobre o
conhecimento dos seres sobre o amor é toda aquela que diz que não se sabe nada.
Mas gostaria de apresentar a minha teoria sobre o amor: o amor é o sentimento
capaz de unir pessoas a outras pessoas, símbolos ou coisas. Vamos falar mais
sobre o amor entre duas pessoas, ou só de uma em relação a outra. Dada a
existência de seres intelectualizados, esse intelecto inibiria logicamente a
continuação da espécie, para que essa continuação seja válida o amor entra em
cena, pra juntar duas pessoas – e algumas loucuras, embora o amor já seja uma,
ou seja, ele é necessário para provocar ele mesmo. Diria que o amor é capaz de
viajar no tempo, apenas isso que pude concluir.
Lembre-se de ler esse texto sabendo que há possibilidades de
que esse texto nem tenha sido escrito – recentes pesquisas á procura de novos
componentes subelétricos para a fabricação de circuitos eletro-biológicos
mostraram que símbolos podem se formar em telas dependendo da quantidade de
vácuos temporais deixados naquele local. Considerando as leis que dizem que o
universo é infinito, isso diz que o número de telas é infinito, e que infinitas
formas simbológicas e agrupamentos dela podem surgir, seria totalmente
justificável que elas se formem e ainda se agrupem formando palavras e textos
coerentes – ou nem tanto – e que o leitor tenha aquela simbologia como à da sua
língua. Não há coincidência, apenas probabilidade.
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