Por anos andei, como todos, procurando o sentido para a vida, sentido esse que sempre pareceu oculto pela nossa própria mente. Mas em mais uma noite de procrastinação na tela de um computador acabo por ouvir Bonde da Stronda. Digo que depois desse dia, nunca mais fui o mesmo, tinha encontrado o sentido da minha existência, não havia mais espaços ou perguntas. Também não havia mais inteligência o bastante ou tempo o bastante para que as indagações surgissem.
Era perfeito, uma vida de luxúria, com muitas mulheres, muita bebida, muito dinheiro, caros, insolência, desconsideração, sexo, drogas, 365 dias de pura vagabundagem. Todos os dias transar com várias mulheres e nunca contrair uma DST, todos os dias não trabalhar, todos os dias viver como quiser, atropelar alguém na rua e mesmo assim ter várias fãs loucas ao seu redor. Era sim a vida perfeita.
Mas... Perfeita até que ponto, até que dia¿ Quando isso acabaria, quando voltaria à vida, quando esse mundo de ilusões viria à tona¿ Possivelmente até o dia que o provedor dessa zona baixasse a ordem de ir trabalhar, o que acarretaria em caos, já que não saberiam fazer nada além de sexo e drogas, não teriam uma mulher, qual delas ficaria com um cara desses¿
Minha crítica não é aos cantores ou sei lá o que, é para aqueles que não notam que existe vida, que não notam que estamos no capitalismo, que não notam que o mundo é uma selva e nós somos a presa mais apetitosa.
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