Não
tenho nada de produtivo pra falar sobre o amor. Nem mesmo consigo ser imparcial
e não deixar o sangue das minhas feridas tecer as letras dos meus textos. Isto
pois, as recordações que tenho dos tempo que amei não me são agradáveis. Dói
pensar no que fui e no que sou.
Mas,
afastando-me o máximo do pessimismo, vejo o amor como uma cultura de massas.
Mais uma palavra que extrapola o físico e atinge a existência humana,
pautando-a. Não é biológico ou psicológico, filosófico, talvez, mas acima de
tudo, é literal. O ser humano pegou uma série de eventos corporais e atribui a
eles uma palavra que indica bondade e afabilidade entre seres.
Sobre a
existência do amor, não posso opinar. Pode ser que a cultura tenha acertado ao
denominar aquilo que nem se quer existia. Ou pode ser que meu ceticismo esteja
certo. Não digo que nunca o senti, e nem que os que o sentiram são mentirosos.
Não sei
o que dizer sobre esta relíquia. Tanto sei e tão pouco sei. Nem sei se existe,
se me atormenta. Sei dos meus pesadelos, do que fui e do que sou. Sei que
passou um vulto em minha vida, mas não sei dizer se foi amor.
Peço
então, ao destino - entidade que também duvido que exista - que me apresente o
amor, pois quero conhecê-lo e vivê-lo. De verdade desta vez, por favor. Pois se
tudo o que dizem é verdade, então deve ser tão magnífico este sentimento que
extrapola palavras. Quero sentir um cheiro que me embebede como álcool. Quero
provar o gosto das nuvens geladas. Quero saber o limite da criatividade humana
e ver, na forma de mulher, o Deus que há tanto espero encontrar.
Matheus Henrique
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