segunda-feira, 25 de junho de 2012

RABISCOS SOBRE O AMOR


                Não tenho nada de produtivo pra falar sobre o amor. Nem mesmo consigo ser imparcial e não deixar o sangue das minhas feridas tecer as letras dos meus textos. Isto pois, as recordações que tenho dos tempo que amei não me são agradáveis. Dói pensar no que fui e no que sou.
                Mas, afastando-me o máximo do pessimismo, vejo o amor como uma cultura de massas. Mais uma palavra que extrapola o físico e atinge a existência humana, pautando-a. Não é biológico ou psicológico, filosófico, talvez, mas acima de tudo, é literal. O ser humano pegou uma série de eventos corporais e atribui a eles uma palavra que indica bondade e afabilidade entre seres.
                Sobre a existência do amor, não posso opinar. Pode ser que a cultura tenha acertado ao denominar aquilo que nem se quer existia. Ou pode ser que meu ceticismo esteja certo. Não digo que nunca o senti, e nem que os que o sentiram são mentirosos.
                Não sei o que dizer sobre esta relíquia. Tanto sei e tão pouco sei. Nem sei se existe, se me atormenta. Sei dos meus pesadelos, do que fui e do que sou. Sei que passou um vulto em minha vida, mas não sei dizer se foi amor.
                Peço então, ao destino - entidade que também duvido que exista - que me apresente o amor, pois quero conhecê-lo e vivê-lo. De verdade desta vez, por favor. Pois se tudo o que dizem é verdade, então deve ser tão magnífico este sentimento que extrapola palavras. Quero sentir um cheiro que me embebede como álcool. Quero provar o gosto das nuvens geladas. Quero saber o limite da criatividade humana e ver, na forma de mulher, o Deus que há tanto espero encontrar.
Matheus Henrique

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