Já fazem alguns milhares de anos que o ser humano inventou a escrita, o ponto inicial da nossa aparente evolução exponencial, aparente, pois não estamos realmente evoluindo com todo o teor da palavra – mas com o teor alcoólico sim. A escrita apareceu quando o homem sentiu a necessidade de registrar, datar e principalmente quando os governantes queriam uma maneira eficiente de cobrar impostos. Com a escrita as sociedades evoluíram, vieram técnicas agrícolas superiores, a matemática começa a ser escrita, o ser humano passa a calcular, registrar, encadernar e projetar as coisas, daí surgem tecnologias, engrenagens, meios de utilização da natureza a livre (e perigosa) vontade do homem.
Já a dezenas de décadas atrás a máquina a vapor revoluciona o mundo, passamos a produzir em grandes escalas, a comprar em grande escala, a precisar do que nunca antes vimos, passamos a instituir o capitalismo nas nossas casas. É descoberta a eletricidade de modo utilizável como força motriz, Thomas Edison faz a primeira lâmpada incandescente e deixa o mundo iluminado, a vida já não é mais a mesma. O homem começa a aspirar à inteligência em máquinas, desenvolvemos computadores, desenvolve computadores mais potentes e em um curto espaço de tempo máquinas que necessitavam de prédios inteiros para serem colocadas passam a ocupar a palma da sua mão. Grandes gigantes surgem nesse contexto, o petróleo se torna fonte de energia amplamente utilizada e também motivo de muitas guerras, mortes, desavenças e degradações, comprovando o que muitos pensavam sobre o ser humano e a sua hipocrisia genética.
Chegamos a eras em que chips com a mesma capacidade dos primeiros supercomputadores de guerra se tornam invisíveis ao olho nu, passamos a ser capazes de transmitir eletricidade pelo ar, criamos máquinas para prever a origem do universo, continuamos os mesmos em relação ao respeito e a educação. Mas, pior que isso, e pior ainda dado os agravantes que indicam o potencial da inteligência humana, está o fato do um jovem no século XXI ser obrigado a aceitar sem ver – e literalmente – um apagão elétrico. Ir para céu aberto e alegrar-se na falta não de tecnologia, mas de energia, com o céu estrelado, escuro, alaranjado e muito azulado da noite. Aparentemente com toda essa “evolução” ainda somos dependentes da vontade da natureza, somos meras pulgas e como já fora dito por Raul Seixas: “Se o planeta não agüenta mais elas, se livras delas num só sacolejo”.
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