segunda-feira, 25 de junho de 2012

SEGUNDAS

Mais uma bela segunda para a nossa mortalha: dia de rever seus colegas, de acordar com cara de burro depois do porre da balada de domingo, de falar um oi com toda a felicidade dessa vida para o seu maior inimigo, dia de sonhar com a sexta, de imaginar um mundo com inúmeros feriados, dia de render muito no trabalho, dia de ser feliz. Pense bem, virão muitas segundas pela frente, não há razão para reclamar da segunda, vamos apedrejar outro dia, quem sabe a terça ou o domingo, domingos são tão chatos, são dias legais para serem desprezados. Depois que cansarmos de desprezar o domingo poderemos ir pra sexta, pro sábado... Temos um calendário inteiro. Podemos até criar o dia de odiar a segunda, que de preferência caia na terça – por que assim a gente emenda o feriado. Então depois da sessão diária de ódio a semana, vamos ao que realmente interessa: todas as vidas passam nesses dias da semana, não importa se você os odeia ou se você os ama.

Segunda é dia de aula, e nada melhor do que começar uma segunda perdendo uma aula, ou melhor, perdendo a chatice de uma aula. Biologia não é um conteúdo problemático até o dia que você descobre que terá que estudar química e matemática nesse treco. Mais uma aula expositiva e repetitiva de biologia, pois bem, sempre temos um companheiro para fazer aquela pergunta chave do dia: “por que as drogas influenciam o nosso cérebro”. O menos imaginável é que isso cairia no assunto mais estranho e complexo do mundo: relacionamentos.

A professora começa a explicar a formação e o sistema de funcionamento dos neurônios que temos no nosso cérebro, explica como as drogas adiantam ou retardam as sinapses nervosas. E resolve então – numa exímia representação da ação das segundas sobre o ser humano – explicar que ficamos apaixonados por apenas dois anos. Falar isso para uma turma de adolescentes fez com que despertassem muitas perguntas. Então tiremos por conclusão que a ciência explica como devem ser os relacionamentos, primeiro somos românticos (bestas supremas) por estarmos apaixonados, depois nos tornamos amantes, o sentimento de prazer e de vício acaba com dois anos, vivemos então da relação de cumplicidade e apoio que ocorre no casal. Como todo humano, a professora é obrigada pela sua mente a falar sobre os relacionamentos que ela teve, vê-se aqui que mais uma vez a minha teoria é validada, em um relacionamento mulheres procuram segurança, diria então que a minha teoria é válida quanto aos objetivos das mulheres em relacionamentos.

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