sexta-feira, 29 de junho de 2012

FALANDO DE SEXO

Agora é hora de despir os preconceitos e não apenas as vestes, é hora em enfrentarmos a verdade, é hora de olharmos para dentro da sociedade em que estamos, agora é hora de sonhar, é hora de imaginar e é hora de se declarar. Tudo isso por que vamos falar de sexo! (Reserve esse espaço para rir muito, por que o resto do texto é realmente sério)

Numa mesa de trabalho, na escola, formada por um grupo de alunos com conhecimento parcial um sobre o outro, e com enorme potencial temos dois garotos e quatro garotas, um espaço ótimo para duas coisas: ARREBITA, ARREBITA, ARREBITA ou para debater sobre sexo, sim, um debate limpo, e igualmente justo, no qual as mulheres não se sentem intimidadas – por serem maioria – e os homens, estes no máximo envergonhados.

O fato é que o sexo pode ter duas interpretações, ambas corretas: algo divino, perfeito, imaculado, humano, capaz de gerar uma nova vida ou uma simples forma de prazer baseada quase que na mesma temática do Lego. Eu tomaria uma posição mediana: o sexo não é uma simples brincadeira de encaixe, pois pode criar uma nova vida, mas também – ao menos para os dias atuais – não é algo muito sagrado ou reservado. Décadas atrás as pessoas beijavam e transavam pela primeira vez no mesmo dia, no dia do casamento. Hoje as pessoas se agarram qualquer hora e qualquer dia em todos os hemisférios desde os treze anos – ou menos. Já o sexo se tornou algo mais bacanal e de consciência mais pessoal do que coletiva, dependendo da índole dos envolvidos pessoas perdem a virgindade com seus dez anos e ninguém escapa da possibilidade de uma rapidinha no ponto com um estranho na rua – entenda: a grande maioria dos homens aceitaria tendo como variável as dimensões do corpo da mulher.

Mas entre jovens o que mais me espanta é o fato de que as mesmas garotas que gostam de ler mensagens de amor, gostam de adesivos e de outros símbolos infantis falam sobre sexo e se chamam de putas. Não é entendível que ao mesmo tempo que uma garota fala de animais no diminutivo esta pense em engravidar, faça-me o favor raça humana! Temos quinze ou catorze anos é hora de ir às festinhas e de beijar muito, não de colocar outra vida no mundo. O peso da responsabilidade de uma transa não é medido quando a chapa esquenta e o gratino começa, pior do que doenças é a possibilidade de colocar no mundo uma criança que irá crescer tento como família outras crianças.

Voltando para a mesa de colegas, as garotas começam a brincar com uma bolsinha e com um anel, fazendo simbolismos e deduzindo o quanto deve ser dolorido para elas, meus caros amigos de membro inferior, pense pelo lado positivo: negões fazem dodói e você não. Mas toda a conversa é envolvida e embalada por risos até que chega a hora em que começam a votar sobre a idade com que cada colega iria perder a virgindade: 16,17,18,19,22,24,27 ou daqui uma semana foram as respostas dadas entre eles. A pergunta é: estavam brincando entre si, dando indícios das idades que pretendem, mas espelhando-as nos outros ou falando o que realmente pensam¿ Essa pergunta fica sem resposta ao passo que como eu já venho dizendo pessoas não são equações matemáticas e por isso não tem resposta certa.

Interessantemente a resposta da pessoa sobre a idade com a qual ela quer perder a virgindade é alta e as justificativas dadas pelas garotas são interessantes e pautáveis: existe a possibilidade de dar errado, por infantilidade os caras poderiam sair contando e batendo na tecla pela milionésima vez confiança e segurança. Outro fato – que ainda vou explorar – e que muitas dessas garotas têm namorados mais velhos e que em outros relacionamentos já tiveram sexo, elas cogitaram a possibilidade de eles traírem elas por sexo, mas eu levanto outra teoria, a de eles induzirem elas, manipularem elas, influenciarem elas contra si mesmas por sexo. Digo de elas serem obrigadas ou até forçadas por eles a terem sexo.

Pessoalmente eu estranho muitos aspectos da sociedade entre um beijo e uma transa, a diferença entre eles é tão grande, mas a verdade entre eles é que são degraus consecutivos de uma mesma escada. A banalidade com que esse assunto é levado e a falta de maturidade com que agimos com ele é suprema, agradeço a minha formação – sempre um espaço aberto e sem preconceitos e receios em casa para esses assuntos – e digo que se tiver a oportunidade terei as mais francas, espontâneas e livres conversas sobre essa tema com meus filhos e peço para o leitor que antes de ficar criticando o sexo na mídia – que é apenas um reflexo da sociedade – converse com seu parceiro ou seus filhos sobre isso. O fato é que sexo é uma verdade, é algo que a maioria fará, é algo natural e deve ser tratado com a mesma esportividade que a marcação de um almoço em família: sem preconceitos, com mais diálogos e menos sonhos arruinados por um pentelho.

PS: o preconceito criado pela sociedade está impregnado em todos os lugares, ao escrever esse texto encontro uma das mais perfeitas representações disso: a censura da palavra transa. E mais uma coisa: pergunte-se quantos nomes diferentes você conhece para a vagina¿ A lista é infinita e vai de cabeça de biro-biro até rachada.

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