Uma das coisas mais legais do ser humano é a sua capacidade de reclamar, não quando ainda pode ser contornado o problema, mas depois de tudo estragado. Numa escola não poderia ser diferente, vamos ver como funciona uma escola: o aluno entra com a cabeça vazia, passa pela escola e sai com a cabeça quase vazia – aprendemos ou reforçamos a nossa hipocrisia, brigamos e beijamos muito. Tenho quase certeza que as donas de casa só se lembrarem do teorema de Pitágoras por que os Mamonas eternizaram ele em um palavrão – mas os Mamonas podiam, até a dona de casa curte Mamonas.
Falando em palavrão, o que dizer de uma torrente de insultos e acerto de contas entre alunos e professor¿ Estavam todos lá, quietos, felizes, levando a segunda com a barriga (nota pra mim mesmo: é melhor parar de falar mal das segundas – ou não), e numa questão surge uma dúvida, digamos que em um aluno não muito humilde, começa então a disputa de poder entre aluno e professor por quem está certo e esse aluno ainda estava revoltado com as suas notas – segundo o próprio, muito baixas perante ao padrão antigo. É humano não assumir sua parte do erro e jogá-la toda no outro, e assim esse representante da espécie fez. Começam os comentários de como o professor de matemática é ruim, de que não entendem a matéria ou que ele não sabe explicar. Pela imparcialidade posso afirmar que essas críticas não deixam de ser verdade, mas são meias verdades.
A história estaria mal contada se eu desconsiderar todas as variáveis; vamos por partes como diz o professor de história sobre como diz Jack, o estripador. Primeiramente lembro que existia uma diferença na turma já que fora feita pela junção dos já estudantes com outros bolsistas, isso acaba implicando no modo da pedagogia analisar os fatos. Em segundo lembro que o professor diz claramente não saber lidar com os alunos, pede respeito pela sua idade mais avançada e lembra que seu salário é uma merda. E por ultimo por estarmos em uma escola de nome há certa expectativa sobre os alunos de que eles continuem com a fama da instituição.
Começam então os acertos de contas de vários outros alunos, falando sobre as provas, sobre a dificuldade das questões (sorte deles nunca terem vido matrizes, e sim, aceitos críticas aos meus conhecimentos se meu caro leitor tiver alguma graduação), reclamando do modo com o professor trata os alunos e até das tarefas. Eu realmente queria que o mundo fosse perfeito, mas já entendi que eu nado contra a correnteza – a grande maioria não.
Vejamos o lado do professor: ele se considera sem poder e para todo problema recorre a direção, não enxergo ai a postura real que infelizmente devia estar nos educadores atuais. Mas pelo lado dele perder o emprego seria uma fonte de renda a menos, ou seja, o que estava em jogo para ele era o pão da sua família ou a viagem para Cabo Frio nas férias. Já os alunos queriam mais entendimento e coisas mais fáceis para se darem melhor, tirarem melhores notas e mostrarem para a família para evitar uma cacetada.
Não sou pedagogo para discutir questões sobre como deve ser a postura dos indivíduos nesse momento e por isso não vou questionar nada. Mas quero lembrar que o erro também deve ser dividido com a família e com a sociedade. Ressalto nas entrelinhas que em todo momento durante a escrita desse texto fui criterioso ao usar palavras que evidenciam generalização, bifurcação de idéias e amenização de sentidos.
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