Há
alguns anos conheci um garoto que tinha como objetivo deixar de sentir os
sentimentos humanos. Ele me disse que gostaria de ser extremamente racional e
que viveria cada dia como se fosse o único, sem deixar que o passado o abalasse.
Isto, pois não entendia os sentimentos, embora os sentisse, e os achava
desnecessários.
Me
encontrei com este garoto recentemente. Assustei-me quando o vi, já era um
homem quase. Conversava como um filósofo grego, apresentava teorias como se
fosse um cientista e era tão amigável como um humilde senhor de idade. Percebi
de pronto que ele havia mudado e, por mais que parecesse óbvia a resposta,
resolvi perguntar se ele havia atingido seu objetivo.
Ele me
respondeu uma coisa que jamais esquecerei: "Sim, hoje posso dizer que sou
senhor do que sinto. Amo quando quero e não mais sinto ódio. Quando me estresso
rapidamente desligo o botão e fico calmo. E principalmente hoje sou capaz de
sorrir ao ver uma simples folha de árvore cair, sozinha e lentamente."
Perguntei então se ele estava feliz com o acontecido.
"Felicidade
é um dos sentimentos humanos que não mais me pertencem. Nem tristeza, nem
qualquer outra coisa. Pergunte-me se me arrependi e a resposta será claramente
que sim. Embora eu sorria facilmente com uma folha que cai da árvore, este é o
ápice dos meus sentimentos diários, enquanto o declive maior é o momento em que
ela toca ao chão."
Matheus Henrique
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