terça-feira, 26 de junho de 2012

APATIA


                Há alguns anos conheci um garoto que tinha como objetivo deixar de sentir os sentimentos humanos. Ele me disse que gostaria de ser extremamente racional e que viveria cada dia como se fosse o único, sem deixar que o passado o abalasse. Isto, pois não entendia os sentimentos, embora os sentisse, e os achava desnecessários.
                Me encontrei com este garoto recentemente. Assustei-me quando o vi, já era um homem quase. Conversava como um filósofo grego, apresentava teorias como se fosse um cientista e era tão amigável como um humilde senhor de idade. Percebi de pronto que ele havia mudado e, por mais que parecesse óbvia a resposta, resolvi perguntar se ele havia atingido seu objetivo.
                Ele me respondeu uma coisa que jamais esquecerei: "Sim, hoje posso dizer que sou senhor do que sinto. Amo quando quero e não mais sinto ódio. Quando me estresso rapidamente desligo o botão e fico calmo. E principalmente hoje sou capaz de sorrir ao ver uma simples folha de árvore cair, sozinha e lentamente." Perguntei então se ele estava feliz com o acontecido.
                "Felicidade é um dos sentimentos humanos que não mais me pertencem. Nem tristeza, nem qualquer outra coisa. Pergunte-me se me arrependi e a resposta será claramente que sim. Embora eu sorria facilmente com uma folha que cai da árvore, este é o ápice dos meus sentimentos diários, enquanto o declive maior é o momento em que ela toca ao chão."
Matheus Henrique

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