segunda-feira, 25 de junho de 2012

NOSSO MAL


                Estou aqui hoje para falar sobre um mal que me acomete. É uma doença da nova geração, que meus pais ou avós não conheceram e mal entendem. A conheci observando meus irmãos, e logo depois me diagnostiquei. Vejo neles sintomas da forma mais brutal da doença, que precisa de um tratamento intenso para trazer a incerteza da cura. É uma doença bestial e extremamente humana. Nós a criamos.
                Atormentado, acordava todos os dias com dores musculares. Tomava cinco comprimidos de qualquer remédio e me sentia aliviado. O mesmo acontecia com qualquer dor que sentia. Me levantava, da cama, abatido, e mal conseguia ler duas páginas de um livro. Entrava logo na internet para ler algum blog ou recado.
                Assim fiz, por anos, e assim fazem meus irmãos. Quando me deparei com momentos ruins da vida, não sentei e pensei na melhor estratégia. Levantei-me, retirei minha faca do porta sabre e cortei meu demônios em apenas um dia. Eles sempre voltavam...
                Há alguns meses percebi o mal que me atormentava. Seu nome, por muitos conhecido, é imediatismo. Queria eu resolver todos os meus problemas de uma vez, sanar minhas dores num piscar de olhos, minha paciência se foi. E para aquele que dizem que estou sendo dramático, saibam que já vi pessoas morrerem por está doença. Morreram com tiros na cabeça e facas no pescoço. E eles foram os assassinos.
                Nova geração, cuidado, pois o melhor da vida está nos detalhes que vocês estão ignorando. Nas páginas de livro que empoeiram na biblioteca, enquanto a internet só cresce. A felicidade está em correr na rua com crianças, jogar cartas ilustradas, gritar quando o mundo todo está em silêncio. Temo por vocês, por sua preguiça. "Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?"
Matheus Henrique

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