Estou
aqui hoje para falar sobre um mal que me acomete. É uma doença da nova geração,
que meus pais ou avós não conheceram e mal entendem. A conheci observando meus
irmãos, e logo depois me diagnostiquei. Vejo neles sintomas da forma mais
brutal da doença, que precisa de um tratamento intenso para trazer a incerteza
da cura. É uma doença bestial e extremamente humana. Nós a criamos.
Atormentado,
acordava todos os dias com dores musculares. Tomava cinco comprimidos de
qualquer remédio e me sentia aliviado. O mesmo acontecia com qualquer dor que
sentia. Me levantava, da cama, abatido, e mal conseguia ler duas páginas de um
livro. Entrava logo na internet para ler algum blog ou recado.
Assim
fiz, por anos, e assim fazem meus irmãos. Quando me deparei com momentos ruins
da vida, não sentei e pensei na melhor estratégia. Levantei-me, retirei minha
faca do porta sabre e cortei meu demônios em apenas um dia. Eles sempre
voltavam...
Há
alguns meses percebi o mal que me atormentava. Seu nome, por muitos conhecido,
é imediatismo. Queria eu resolver todos os meus problemas de uma vez, sanar
minhas dores num piscar de olhos, minha paciência se foi. E para aquele que
dizem que estou sendo dramático, saibam que já vi pessoas morrerem por está
doença. Morreram com tiros na cabeça e facas no pescoço. E eles foram os
assassinos.
Nova
geração, cuidado, pois o melhor da vida está nos detalhes que vocês estão
ignorando. Nas páginas de livro que empoeiram na biblioteca, enquanto a
internet só cresce. A felicidade está em correr na rua com crianças, jogar
cartas ilustradas, gritar quando o mundo todo está em silêncio. Temo por vocês,
por sua preguiça. "Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo,
quem roubou nossa coragem?"
Matheus Henrique
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