sexta-feira, 15 de junho de 2012

DIDÁTICA

Uma das coisas mais interessantes sobre a vida é que sempre é possível se adaptar e aprender novos fatos, não digo apenas sobre os humanos, mas para toda e qualquer forma conhecida e desconhecida, a evolução produz esse efeito. Especificamente no ser humano aprender o não natural se tornou algo extremamente necessário para viver, sim, aprender coisas fora do instintivo tornou-se instintivo pelo modo como o sistema se construiu em torno da evolução técno-científica. Isso provocou alterações em relação à estrutura da seleção natural no ser humano, mas, sem alterar a regra: não é o mais forte que sobrevive, é o mais capaz de se adaptar.

Dentro da instituição escola, o ser humano tem o objetivo de aprender e aglutinar conhecimentos e deveras, utilidades para eles. Mas há muito além nas escolas, existem pessoas, existe diversidade cultural, morfológica, etimológica, comportamental (...) São nas escolas que aprendemos a conviver em sociedade, muitos aprendem a amar, muitos descobrem suas vocações, muitos são forçados a aceitarem as diferenças, nas escolas fazemos amigos, aprendemos a arte humana de julgar e falar mal dos outros, aprendemos a formar desavenças e também e sermos hipócritas – a escola forma o homem que a sociedade verá, talvez não o indivíduo total, mas revela o seu modo de se relacionar na espécie. É válido, portanto, que a escola seja o melhor espaço possível para a criança ou para o jovem.

A figura mais importante na escola é, e sempre será, a do educador. Não entrarei em questões sindicais, mas deixo-as subentendidas: devíamos valorizar mais esses profissionais, pois sem eles não existiram outros. Gostaria de poder elogiar, comentar ou criticar alguns professores com que convivo na escola.

Chego ás sete horas na escola, ou pelo menos esse é o horário de inicio das aulas, ou com toda a completude da palavra, é o horário oficial da formação de indivíduos. Aulas chatas, com professores chatos, ensaios de quadrilha, mas não menos importante no terceiro horário o motivo desse texto. Ele entra na sala, com sua voz de tom marcante e sua lábia de se invejar, um exímio professor de línguas, sua diferença começa por ai, mas ele ainda gasta dez minutos da sua aula para cumprimentar um a um durante a chamada – criando um contato e um carisma que faz render todo o trabalho do dia. Como se não bastasse ser amigo e conhecedor dos jovens, suas aulas são sempre dinâmicas, em grupos ou duplas, não é o tipo que chama a atenção, ele chama pra contar um caso. Num dos seus trabalhos tivemos que fazer a paródia de uma música e cantar a paródia, muitas obras primas saíram desse projeto. Restou um grupo para apresentar na próxima aula, fomos novamente para a sala de multimídia, quebrando o sentimento de confinação que um aluno tem em sua inseparável carteira. Após a apresentação do trabalho, com acompanhamento no violão feito por ele, não obstante do seu trabalho ainda ganhamos uma sessão musical, exato, ele deixou de apresentar o conteúdo programado e atendeu aos pedidos dos alunos cantando de legião a sertanejos. Esse tipo de professor devia ser não exceção, e sim, generalidade.

Felizmente a minha lista de bons professores não para por aqui, a arte de inserir e prender os alunos dentro de ligações químicas, encontrada em poucos espécimes, é encontrada nessa lista. Não há a necessidade de impor autoridade, embora, por via das dúvidas ele ainda imponha respeito, mas até o mais desinteressado torce pelo horário de química: ser transportado para um mundo novo, fazer “viagens” em nossas mentes, e tudo sem a preocupação e a histeria de passar de ano ou de ter um bom rendimento no Enem.

Dois gênios da didática já seriam o bastante para tornar o ato de ir à escola prazeroso, mas o que dizer de um terceiro¿ Muitos diriam ser impossível ensinar, contrariar e contagiar ao mesmo tempo, deviam conhecer o professor de história, ele faria o Chuck rir sem matar ninguém. É possível sim ser amigo dos alunos e ao mesmo tempo cumprir com o ementário.

Poderia citar outros, mas já é possível ver que a educação pode ser prazerosa, que os professores devem ser incentivados e criativos, o segredo da didática e fazer valer a pena. Lembre-se, mesmo que eu seja um nerd, e que esse seja o tipo de texto perfeito para inflar o ego desses professores, eu sou um aluno e estou descrevendo o que ouço de pessoas diferentes de mim. Ressalto ainda que isso só seja possível devido à estrutura da escola e ao apoio dado em todas as direções entre alunos, pedagogia e gerência.

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