domingo, 17 de junho de 2012

O MITO SOBRE O LIVRE ARBÍTRIO

                Há milhares de anos atrás, em um tempo que a comunicação verbal era a grande novidade, nasceu um garoto em uma simples tribo de Neandertais. Este garoto estava destinado a grandes feitos e desde cedo demonstrava os bons atributos de grandes guerreiros, mas também os ruins, como arrogância e preconceito.
                Sua tribo se alimentava do que plantavam e do que pescavam nos dois lagos que a cercavam. Neste lugar, devido ao isolamento criado por estes lagos, criou-se o mito de que fora da tribo reinavam as trevas e que aquele lugar era o mais seguro. Esta história foi passadas pelos grandes imortais que ousaram atravessar o lago e voltaram vivos.
                Com o passar do tempo o garoto se tornou um grande guerreiro. Quando atingiu o posto mais alto do exército da tribo, uma praga, desenhada nas paredes sagradas, desceu sobre a tribo e matou os peixes, assim como destruiu as plantas, trazendo consigo as tão temidas trevas do arredores. Ele ficou, então, encarregado de, com um pequeno exército, atravessar o lago e encontrar outro lugar habitável mesmo que temporário. E assim ele fez. Partiu em uma jangada com mais cinco bravos homens.
                Ao chegar do outro lado do lago ele percebe que o sol já não era o mesmo e que no meio de toda escuridão destacavam-se olhos que observavam cada passo de seu pelotão. Eles marcharam, por dias, sem nada encontrar, além de medo e tristeza nos olhos da natureza.
                Em um dos dias de marcha, porém, ele avistou algo que há muito não abrilhantava seus olhos: a luz do sol. Criaram forças, retiradas dos últimos suprimentos que haviam consumido e correram para a luz. Por sua idade já avançada ficou para trás do pelotão e viu todos os seu soldados serem dizimados por uma raio forte assim que foram tocados pela luz. Logo após isso, presenciou, deslumbrado, a batalha entre duas entidades, que mediam mais de 20 metros. Uma tinha traços femininos, com uma espada brilhante e uma armadura de ouro; a outra, com traços masculinos, com aparência horrível, portava apenas uma faca, vestia-se com trapos e sangrava por todas as partes.
                Analisando a situação, percebeu que tudo que estava acontecendo nos arredores de sua tribo era consequência de sua batalha. Resolveu ajudar a bela guerreira, e distraindo o guerreiro com um berro, contribui para o golpe final, que pôs fim a batalha. Logo após isso todo o céu escureceu, o chão sob seus pés começou a queimar e, com um golpe de espada, a bela guerreira matou todos os seres vivos que se encontravam próximos a ela.
                Daquele dia em diante reinou sobre a terra o mal, que, numa ideia genial da bela guerreira, significava que todos os seres vivos teriam os atributos daquele guerreiro que a ajudou a vencer a batalha. Com o guerreiro morreu a diferença entre grandes homens e simples mortais, e nasceram uma raça de egoístas. Todos, depois daquele dia, se tornaram comuns e igualmente estúpidos.
                No fim da batalha a guerreira gritou algo que ficou perpetuado na memória da humanidade: "Livre-arbítrio (nome do guerreiro, morto no chão), não importa o quão bom você seja, e o quanta força você tenha, a humanidade irá sempre conspirar contra sua existência."
Matheus Henrique

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